quinta-feira, 21 de abril de 2011

You're so lucky I'm around - Parte 7

Era sábado a noite finalmente e D. tinha dispensado o convite de suas amigas para um bar ameno para colocar o trabalho em dia. Tinha muito pra fazer e apenas mais uma semana pela frente. Com o pequeno netbook no colo, ela mexia tentando terminar aquele bendito banner de uma vez por todas... Mas faltava a frase de impacto. Estava difícil de pensar em uma de fato propícia. Morgada no sofá, buscava manter os olhos atentos ao trabalho, mas estava muito cansada, tudo muito difícil.
O copo de café estava apoiado na mesa de centro, a uma distância mínima de um braço. Nem se lembrava mais do momento que se tornara viciada em café, mas agora ter sempre um copo por perto era hábito. As palpebras pesando, o pequeno mouse trabalhando sem interrupção. O tic/tac do relógio constante e o medo de D de checa-lo e descobrir que as horas já estão muito avançadas e que ela ainda não fez realmente quase nada.
Em algum momento da noite, D. acabou se deixando descansar pelo que ela acreditava ser 5 minutos. Ela nunca saberá quanto tempo realmente dormiu, mas se lembrará das circunstancias que acordou.
A campainha tocava impacientemente. Ela finalmente ouviu e acordou num salto, quase derrubando o computador. Chocada, andou até a porta, se perguntando se devia ou não abri-la a essa hora da noite. Que horas eram? D. olhou rápido para o relógio: ainda eram 10:30! Por outro lado, já tinha se passado 7 horas desde que ela sentou naquele sofá. Que lindo sábado a noite.
D. girou a maçaneta da porta. Será que era C brigada com Bernardo de novo? Ou talvez R tentando convence-la, já meio bebada, a sair pra night-pós-barzinho-ameno com ela e Isa? Uma coisa é certa: D. esperaria até o amigo MAIS remoto, mas nunca esperaria que fosse...
- Eduardo?
Ele abriu a boca para dar alguma justificativa. Estava de jeans, o all star vermelho velho e uma camisa preta, clássica. Dani gaguejou alguma coisa mas Eduardo começou a rir alto antes que ela pudesse organizar os pensamentos.
- Alguém andou dormindo em cima do trabalho, hein?
- Só se for você. - D. se defendeu.
- Sei. Seu cabelo me diz outra coisa. E sua roupa bagunçada. - continuou. - Ou você dormiu ou você... - os olhos dele se arregalaram com a ideia - Estou interrompendo alguma coisa?
- EDUARDO! - D. leu seu olhar maroto.
- O que? Foi uma pergunta baseada nos fatos! - deu de ombros. - Se não estou interrompendo nada além do seu sono, posso entrar? Preciso te mostrar umas coisas.
D. o encarou descrente, procurando por uma pasta ou algo que indicasse que ele estava REALMENTE ali pelo trabalho e não para bagunçar seu coração, além das roupas e cabelos.
- Pen drive. - ele respondeu ao olhar inquisitivo, puxando um do bolso. -Eu sei que está tarde, mas é realmente importante.
- OK. - D. apontou pra dentro de casa com o braço. - Pode entrar.
- Imagina se eu fosse um vampiro que nem esses que você lê. - ele riu, entrando. - Eu teria conquistado mais um território.
- OI?
- Andei fuxicando sua bolsa. - ele deu de ombros. - Desculpe, você deixou ela aberta bem na minha cara um dia desses. Foi sem querer. Meu lado investigativo falou mais alto. Não mexi em nada, mas o livro estava lá aparente. Mas relaxa, eu não sou um vampiro. Não conquistei mais um território.
- Isso não é WAR, você sabe. - defendeu ela, meio rude. Chocada.
- Ih, que mau humor. - ele sentou-se no sofá, os olhos dele passando pelos detalhes da sala. - Posso conectar o pen drive aqui?
- Pode. - D respondeu, estranhando um pouco aquela presença masculina no meio da sala.
Qual foi a última vez que algum homem além do seu pai, dos seus ex e dos namorados das suas amigas esteve sentado ali?
Sacudiu a cabeça quando não soube dizer.
-Se importa se eu tomar um banho enquanto você arruma as coisas aí?
- Sem problemas.
- Promete que não vai morder ninguém nesse intervalo de tempo?
- Vou fazer o possível. - respondeu-lhe, com um sorriso brincalhão.
D. se trancou no banheiro rapidamente. O coração batendo forte por não ter a situação sobre controle. Odiava essa sensação. Ligou a água quente e esperou um pouco. Respirou fundo evitando pensar de mais.
Enquanto isso, do lado de fora, Eduardo olhava os livros na estante. O do Stephen King chamou atenção. Pra quem gosta de Diários do Vampiro, até que a menina ainda tinha se salvado. Desceu os olhos pros CDs... Kings of Leon, Green Day, One Republic, The Fray, Fall Out Boy, Franz Ferdinand, Muse, Paramore, Maroon 5, Foo Fighters, AC/DC, Coldplay e AH, THE WHO. Ele até ignorou os cds dos Beatles que estavam ali também. Ela curtia The Who e ele, inevitavelmente, a curtia. 
O telefone começou a tocar. Eduardo pulou com o susto. Leu o identificador de chamadas. Era alguém chamado tamagoshi. Oi? Eduardo dividiu-se: não sabia se atendia ou se deixava tocar. Correu na direção do banheiro para gritar por trás da porta e pedir instruções. Quando estava chegando perto dela, no entanto, ouviu D. cantar lá de dentro.
- I'm not sure who I'm looking for, I'll know it when I see you. Until then, I'll hide in my bedroom, staying up all night just to write a love song for no one.
Eduardo se escorou na parede ao lado da porta. Até se esqueceu do telefone tocando.
- I'm tired of being alone, so hurry up and get here. So tired of being alone, so hurry up and get here. 
E aquilo soava tão tentador. Eduardo tinha vontade de falar pra ela que ia. De pegá-la entre os braços e dizer que ela não precisa mais procurar por alguém. Era ele. E ele estava ali. 
- Hurry up and get here. mmmh, mmmh, mmh mmh...
O barulho de água cessou e Eduardo se assustou de novo. Especialmente porque percebeu que estava cantarolando baixinho:
- You'll be so good. You'll be so good for me.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

You're so lucky I'm around - Parte 6

Murphy faz daquela semana “A” sua semana. As coisas andam bem diferentemente do que os dois haviam planejado, mas uma coisa é certa: eram melhor companhia do que imaginavam. Sim, D. queria matar Eduardo as vezes, especialmente quando ele queria colocar alguma coisa que não tinha o menor cabimento no projeto e sim, Eduardo achava que D. era chatinha demais, controladinha demais, centradinha demais... Mas ninguém podia negar que eles faziam uma boa dupla.


Na segunda feira, o computador de Eduardo dá pane. Por sorte a agencia tem laptops para emprestar para os funcionários e por mais sorte ainda, D. o obrigava a fazer backup DA VIDA em seu pen drive constantemente. Ou seja, não tiveram grandes perdas.

Na quinta-feira o carro da D. quebra. Ela chega morrendo de calor dentro daquele terninho e sentindo como se estivesse cheirando a ônibus lotado, que foi o que ela teve que tomar para chegar a agencia. Depois de caçoar da cara dela, Eduardo até parece preocupado com o fato do carro dela ter quebrado, mas ela garante que já tinha o mandado para a oficina.

- Só vou ter que encarar o ônibus lotado de volta para casa. – diz num tom de brincadeira apesar da preocupação ser muito tangível.

- Eu te levo. – Eduardo responde, sem tirar os olhos do laptop antigo emprestado pela empresa. Sente os olhos de D. queimando sua nuca. – O que?

- Sério? – ela pergunta, meio chocada com ele ter se oferecido para tal serviço.

- Não, estou brincando. – ele revira os olhos. – Claro que é sério, por que não seria?

- Obrigada, isso seria ótimo. – ela sorri. Pela primeira vez desde que eles começaram a trabalhar juntos teve vontade de dar-lhe um abraço.

Ok, talvez não realmente a primeira vez. Mas é a primeira vez que admite pra si mesma.

No fim do dia, os dois dividem o carro. D. está um pouco incomodada naquele banco da frente, sem saber o que fazer com as mãos. Toda vez que a mão dele roçava na perna dela para colocar a ré e sair da vaga ela tinha problemas em concentrar-se para responder suas perguntas amenas... Sobre o tempo, sobre o transito, sobre como não se fazem mais carros como antigamente... Fingers trace your every outline, paint a picture with my hands.

Ela estava se apaixonando por aqueles dedos, pela maneira como ele parecia compenetrado ainda que fizesse tudo aquilo de forma displicente, enquanto mantinha uma conversa com ela. Ela sentia o estomago embrulhar de agonia toda vez que Eduardo fazia um movimento mais brusco, ou olhava na direção dela por um segundo para rir de alguma coisa ou fazer uma piada. E quando paravam no sinal e ela ficava olhando para frente, buscando o horizonte e fugindo dos olhos dele, ainda assim podia sentir os olhos dele sobre ela, esperando que ela se entregasse mais prontamente a conversa. Mas ela tinha medo de olhar. Yet I'm afraid of falling in love, the joy the pain that love can bring.

Eduardo estava se sentindo quase frustrado pela falta de participação na conversa por parte da freeryder que estava levando para casa. Ele tentava desesperadamente chamar a atenção emendando uma conversa na outra, mas ela nunca demonstrava grande interesse. Talvez ela não tivesse grande interesse nele, ponto. Mas eles vinham trabalhando tão bem, discussões a parte. Ele adorava as ideias inovadoras dela e continuava adorando a maneira como seus olhos ficavam ainda mais minguados quando estava chateada com alguma coisa ou examinando uma ideia mais a fundo. Ela era definitivamente difícil de ler. Kind of woman that want you but don’t need you. E ele não tinha nem certeza se ela a queria. Aparentemente não, ou pelo menos ela seria mais participativa nas suas tentativas fail de puxar assunto.

D. apontou o prédio e Eduardo encostou. Despediram-se por alto ainda meio sem saber como encarar a situação.

- Até amanhã. – D. disse, com a mão na maçaneta.

- D... – ele respondeu querendo dizer mais um monte de coisas, mas sem conseguir nem mesmo organizar seu pensamentos. – Até.

Ela sorri pra ele, então sai do carro e bate a porta com força. Depois, praticamente corre para dentro do prédio, para a segurança de sua casa.