sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A Missão - Parte 12

D estava de pé, com os braços cruzados, deixando sua mão na altura da cintura. Adam tomava ar e se preparava para começar, fazia questão de sustentar o olhar fixo nos olhos de D, queria se fazer entender, deixar claro que não estava mentindo.
-Pra você ter chegado até aqui, presumo que falou com Bernardo, certo? - ela confirma com a cabeça – Até onde ele contou?
-Que ele estava infiltrado e que de alguma maneira o nome dele foi envolvido no esquema. Pra salvar a pele dele, você se deu como garantia. Minha pergunta é: O que você tinha que fazer?
-Minha tarefa era matar vocês. - ele soltou tranquilamente.
-Quem lhe contratou? - ela mantinha o mesmo tom.
-O chefe da sede americana: Jeffrey.
-O quê?
-Ele mesmo veio se encontrar comigo lá em Nova York. Um cara de meia idade, com os cabelos grisalhos indo pro branco, sempre bem vestido, com cara de quem já tinha sido um 007 uma vez na vida.
-Isso tudo está muito estranho.
-Não sei qual o propósito, mas, na minha posição, não podia contrariar as ordens. O objetivo, intitulado “Missão” (eu sei, nada original, mas não escolho os nomes), era simples, eu me infiltrava na vida de vocês e as matava. Contava com uma equipe de reforço, a qual dirigiu os furgões atrás de vocês na estrada. Como deu errado, acreditei que era hora de eu colocar a mão na massa. Segui vocês e te encontrei no festival.
-Por que você não me matou quando teve chance? Quando me encontrou na barraquinha de tiro ao alvo? Ou quando chegamos na porta da minha casa depois da danceteria?
-Eu posso ter recebido essa tarefa, mas eu não gosto de acabar com as pessoas, a não ser quando elas realmente mereçam. Você não se encaixa no perfil que eu costumo matar, você não estava tentando acabar comigo, não estava governando um país ditatorialmente, não estava causando mal a ninguém, resumindo: você não é a vilã da história -ela ainda tinha uma desconfiança e fazia cara de quem não compraria aquilo – Depois que eu conheci você de verdade naquele dia, eu tinha decidido não cumprir a missão e sofrer as consequências. Vim “fugido” de Nova York pra cá, de carona com um amigo meu que tem um avião.
-Se você estava fugindo, por que levou meu armamento?
-Eu poderia mentir e dizer pra você que era SÓ porque eu queria te atrair pra cá e ter sua ajuda. MAS, confesso que gostei dessas maletas. Você tem um fornecedor muito bom. -disse ele com ar descontraído, meio debochado, esperando conseguir aliviar a tensão. Não conseguiu.
-Você quer a minha ajuda? - a descrença estampava o rosto de D.
-Quero.
-E quer que eu acredite nessa história toda?
-Quero.
-Prove.
-O quê?
-Que está falando a verdade.
-Tem o Bernardo, ele te contou...
-Vocês podem estar mancomunados.
-Não tenho como provar. Você sabe “essa fita se destruirá em 10 segundos”. Não tenho provas. -Adam começava a se exaltar.
-Então, não posso te ajudar. - ela se vira em direção a porta. Adam a segura e a puxa para si, conclui imprensando-a na parede.
-Por favor, vão matar meu primo e nonna. E se eu ainda não fui claro: NÃO QUERO E NÃO VOU MATAR VOCÊ.
-O que eu não entendo, é por que você teve que me trazer até a Itália, acreditando que você era culpado? Não bastava você ter me dito? - ela estava meio sufocada, em parte pela maneira em que se encontrava e em outra por Adam parecer tão convicto em suas palavras.
-Eu achei que você viria sozinha, não achei que deveria envolver suas amigas. Além disso, Jeffrey está aqui em Roma.
-Bom, você devia ter me avisado. Minhas amigas estão comigo, aliás, nós estamos sempre juntas. Separe uma e morra.
-D, dá pra parar de tentar ser durona?
-Se eu não fosse durona, você não estaria pedindo minha ajuda.
-Uma coisa é fingir ser osso duro de roer, outra é você ser uma das melhores. E eu não estou dizendo apenas na espionagem. - ele passou os dedos levemente sob as bochechas coradas da menina e a beija na testa.
Aos poucos ele libera a pressão contra a parede e D desliza até o chão. Sua mente dizia que não era pra ela acreditar, no entanto, seu corpo dizia o contrário, queria acreditar nele. D levantou e ficou cara a cara com Adam:
-Eu vou...
As portas e janelas são invadidas. Centenas de homens cobertos de preto dos pés a cabeça entravam na pequena sala da kitnet. Eles imobilizaram os braços e pernas de D, Adam tentava fazer com que eles a soltassem, em vão. Logo foi a vez dele ser preso. Um homem de terno e cabelos grisalhos entra pela porta batendo palmas e se posta na frente deles:
-Muito bem, Adam. Não acreditei quando finalmente reconhecia a chinesinha pela janela. Você cumpriu o combinado, ou melhor, parte dele. Mas pode deixar que eu faço o resto. D se debatia, dessa vez não conseguia pensar em nada para se defender. Sentiu o cheiro do éter pelas suas narinas e tudo ficou preto.
-NÃO! COMO VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI? - Adam estava em desespero. - Eu não estou mais cumprindo suas ordens. Me leva no lugar dela!
-O que te fez pensar que eu quero você no lugar dela? Ela e suas amiguinhas são o problema. Você é facilmente contido. Homens, tranquem esse infeliz no banheiro e taquem fogo nesse muquifo. - ele se vira e volta para dar um último aviso – Ah, tenham cuidado com essa aí. Ela é perigosa, nunca se sabe como estará quando acordar.
Adam é trancado no banheiro e escuta seu apartamento ser destruído, além do armamento de D também estar sendo levado, “só tem coisa de qualidade aqui” ele ouviu.
Ele estava morrendo de ódio por ser tão idiota. Como deixou que D se expusesse daquele jeito vindo até Roma, ao apartamento dele, ter ficado tanto tempo cuidado dele? Deviam ter saído para um lugar seguro assim que ela pôs os pés dentro da kitnet. Ele batia com a cabeça na porta, a fumaça começou a entrar por baixo. Tinha que sair dali e encontrar com Bernardo, precisava de reforços para seu plano de salvar D, que já estava sendo arquitetado em sua cabeça. Procurou pela janela, um buraco mínimo que não tinha como passar um pessoa. Situações desesperadas pedem medidas desesperadas. Ele procurou alguma coisa grande o suficiente para quebrar os vidros e aumentar o espaço, tacou tudo que estava ao alcance de suas mãos, apenas pequenas rachaduras surgiram. Medida desesperada número dois: ele toma distância e chuta a janela, depois, com o punho bem fechado, ele bate em cima da trinca. O vidro se despedaça em vários pedacinhos minúsculos. Adam coloca a cabeça pra fora e se lembra que mora no 5º andar, um pulo de mal jeito e fatalmente ele quebrará alguma coisa ou pior, se estatelará no asfalto. “Dane-se” pensou ele, iria salvar D de qualquer maneira. Ele fechou os olhos e saltou. Ainda no ar, ele ouviu a explosão do apartamento atrás dele. Ele caiu sobre um toldo gigante da padaria que ficava logo embaixo do prédio. As poucas pessoas na rua e alguns curisos de prédios vizinhos tinham parado para ver os grandes estrondos e o rapaz que saí de cima do pano. Adam não ligava pra isso. Ele roubou a Ferrari parada ali perto, sem saber que era justamente o carro usado por D. Ele atingiu 100 km/h em menos de 2 segundos.

**
Já estava amanhecendo, os primeiros raios entravam na sala onde C e Bernardo dormiam juntinhos. As taças caídas no chão, a garrafa vazia rolada até o tapete. O tic-tac ritmado do relógio era o único som que quebrava o silêncio. Um som mais forte sai do lado de fora: o ronco de um motor potente seguido por diversas buzinadas.
C e Bernardo acordam sobressaltados, Nina e R descem as escadas correndo, nem sinal de nonna. Todos chegam a entrada e dão de cara com a Ferrari de May, mas se surpreendem com quem sai do veículo. Um Adam sem camisa, todo machucado e completamente sujo aparece. Ele vai em direção ao grupo, mancando. C estava se preparando para imobilizá-lo, mas Bernardo a segura pela cintura e sussurra um “calma aí”, ele toma um passo a frente e ajuda o primo:
-Adam, o que aconteceu?
-Levaram a D! – ele estava aflito.
-O QUÊ?! – as meninas berraram.
-É. Jeffrey invadiu o apartamento e levou ela. Me trancou no banheiro e tacou fogo no lugar. – Adam explicou tudo aquilo que tinha falado com D de maneira sucinta.
Estavam sentados no sofá Adam, Bernardo e C. Nina estava tentando captar algum sinal em seu celular, R andava de um lado ao outro.
-Precisamos voltar pra casa da May para pegar meu notebook, poderemos rastreá-la melhor com ele – Nina ainda digitava loucamente nas pequenas teclas do telefone.
-Tínhamos que montar um plano... – disse Adam.
-Mas não sabemos onde ela está. – C argumentava.
-Tenho uma vaga ideia. – Adam se levanta e fala para Nina  - Procure por algum sinal na sede da EDM italiana.
-Sem sinal nessa área. Gente, assim não dá, vamos voltar pra casa da May AGORA!
-Parece uma boa ideia, aproveitamos para nos prepararmos melhor. Pegamos alguns armamentos a mais, coisa e tal.
-O que estamos esperando? – C se levantou.
-Não sei se é uma boa ideia eu ir... sabe, sou persona non grata nesse lugar...
-Vai amarelar? – C provocava.
-Não é questão de amarelar, é só... precaução.
-Cugino, D está em perigo por minha causa, ou melhor, por NOSSA causa. Non essere un codardo! – Adam estava se irritando.
C também não estava acreditando que Bernardo estava exitando, “tenho mais culhões que você” pensou. Por fim, Bernardo deu de ombros e apertou a mão de Adam, como se selassem um acordo silencioso.

Continua...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

A Missão - Parte 11

Já era bem tarde, por volta das 10 da noite. Ela mandou uma mensagem para as meninas:
“Desculpa ter saído tão de repente. Digamos que eu tive um imprevisto, não se preocupem está tudo bem. Volto amanhã para buscar vocês.”

A resposta veio de imediato:
 “Não se preocupe com a gente, estamos bem. C está melhor ainda, if you know what I mean  ;)  R.”

D voltou para a cozinha, terminando de preparar algo para comer. Chegava a ser ridículo, mas ela havia montado a mesa como um jantar, reparando o ato falho, ela tratou de guardar tudo novamente. Adam ainda estava dormindo no colchonete, D tentou colocá-lo o mais confortável possível, cuidou de todas as feridas e deixou que ele respirasse não ficando colada nele por muito tempo.
Por volta da meia noite – 12 badaladas de um sino de uma igrejinha distante soavam – Adam recobra os sentidos. Ele observa D arrumando o pequeno apartamento, estava num estado sereno “Como essa pessoa tinha tanta raiva dentro de si? Nem dá pra acreditar na diferença”, pensou ele esboçando um sorriso. D se sentia observada e se virou para o rapaz deitado meio metro abaixo, a troca de olhares significava um pedido de desculpas mútuas. Contudo, D continuava séria:
-Vou deixar você se explicar. Mas já sabe as consequências caso eu não acredite em uma palavra sequer.
-Estou sentindo em cada músculo do meu corpo. Ai. - foi por um triz, quase arrancou um risinho dela.
-Antes que você esqueça, tenho reforços – ela bateu na cintura na altura da cintura.
-Isso me lembra... Vai na tábua embaixo da cadeira de aço – ele aponta para o canto oposto do cômodo.
D desconfia, mas não teria nada a perder. Ela abre e vê todo o seu lindo arsenal guardado organizadamente no fundo falso e largo do chão, retira as maletas uma a uma e leva de volta para perto de Adam.
-As dúvidas são muitas, as respostas que eu tenho até agora são poucas. Imagino que você deve ter o resto delas. Comece.

**

Na garagem, tudo estava um breu. A noite caíra e C continuava deitada no chão encarando a janela e o brilho fraco que vinha de fora. Bernardo não estava a seu lado – ela esticou o braço para averiguar -, mas logo ouviu sua voz um pouco mais distante:
-Acordou, Bela Adormecida. O jantar já deve estar pronto. Estou morrendo de fome, vamos logo.

Eles voltaram para a casa e como Bernardo disse o jantar já estava pronto e sendo posto na mesa. Nina e R ajudavam a Nonna colocando pratos e talheres. Elas viram quando os dois entraram pela porta da frente e trocaram olhares marotos com C. R chegou a sibilar “ Conte-nos tudo”.  O jantar foi agradável, conversaram muito. C e Bernardo, contudo, mantiveram uma certa distância, não sabiam exatamente como agir, se sentiam um pouco desconfortáveis.

Era hora de dormir, Nonna foi muito simpática fornecendo travesseiros e cobertas para as meninas, que iam se virar no quarto pequeno que pertenceu à filha mais velha dela, mãe de Bernardo. Depois de tudo montado para dormir, Nina e R pressionaram C para começar a falar:
-Vamos, C. Aguentamos tempo suficente.
-Ai, gente, que vergonha. Foi normal, ué. Foi.. bom. Muito. Bom - sua cara estava em chamas.
-Ah, safada. A gente aqui esperando que D não faça nada estúpido e você por aí se divertindo.  - R tacou uma almofada.
-Mas gente, eu não sei se foi certo. Agora tá batendo um pequeno arrependimento. - C pareceu brochar.
-Então não foi tão bom assim – R sentencia.
-Não nesse sentido – C revira os olhos – Quero dizer, que não sabemos a verdade, se ele está sendo sincero. E se foi tudo uma armadilha, uma distração?
Todas ficaram caladas, analisando o ponto de vista. C tinha razão. Nina quebrou o silêncio:
-O que sua intuição diz? Você sabe que muitas vezes esse sexto sentido é aquele que salva. Acho que você devia usá-lo agora.
-Está tudo muito bom, mas acho que devíamos dormir – disse R – D falou que ia trazer o carro de volta amanhã e quero estar muito bem descansada. Boa noite!
-Boa noite!- responderam Nina e C.

C colocou a cabeça no travesseiro, mas não conseguia dormir. Já passava da 1 da manhã quando ela decidiu descer e, sei lá, tomar uma água. Ela desceu as escadas devagar, tentando não fazer barulho.
-Sabe, você não tem a leveza de um gato. Ouvi seus passos desde que você encostou a porta que rangia. - Bernardo estava sentado na poltrona da sala, segurando um copo de uísque.
-Desculpa, senhor ouvidos sensíveis. Minha intenção era não acordar sua avó.
-Não se preocupe, mesmo que tivesse explodido uma bomba atômica ela não acordaria. Quer um pouco? - ele estendeu seu copo quase vazio.
-Prefiro uma água.
-Sem falsos puritanismos, por favor.
-Até que um vinho não seria mal... E não é falso puritanismo, eu desci pra beber água!
-Isso porque você não sabia onde está o álcool.
-Se não for me dar uma taça de vinho eu vou pegar minha água e dormir.
Ele se levanto e desceu até o porão. Trouxe uma garrafa fechada para cima, junto com duas taças.
-Pensei que você fosse ficar com seu 12 anos aí. - C fala com ironia.
-Entre vinho e uísque é claro que prefiro vinho. Só estava com preguiça de pegá-lo lá embaixo e não estava afim de acabar com a garrafa sozinho. Agora eu tenho companhia – ele entrega uma das taças para C.
-Não tenho a intenção de acabar com ela por inteiro.
-Nem eu. Mas é o que vamos acabar fazendo, quer apostar?

Continua...

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A Missão - Parte 10

O papel a levava de volta a Roma, a um prédio meio escondido numa dessas ruas estreitas e sem saída. Se tudo em volta não fosse tão bonito e aconchegante, poderia-se dizer que a localização era assustadora. O edifício em questão era meio antigo, mas possuía um interfone. D parou com o dedo antes de apertar, “o que eu falo se ele atender?”, questionava-se ela. Sem mais refletir ela apertou o botão.
-Ciao? - uma voz masculina atende, com certeza era Adam.
-PIZZA!
Péééiiimmm. A porta foi liberada

D subiu todos os andares apressadamente. Chegando ao quinto andar, parou na porta do 506, ela não sabia exatamente o que faria. Ao mesmo tempo que queria explicações, ela acharia que tudo era – e pior – tinha sido mentira. A ira moveu seu dedo até a campainha. Ele veio correndo abrir a porta. Estava sem camisa, apenas com sua calça jeans e seu all-star vermelho que davam um ar mais juvenil a ele. Os dois se encaravam. Adam estava apenas sério, D tinha raiva, muito ódio.
-D, deixe-me explicar... - Adam finalmente disse.
Ambos passaram a andar em círculos dentro da sala que só tinha um colchonete, uma mesa e uma TV. Os olhos ainda eram fixos.
-Cala a boca. Não vou ouvir mais nada. O que mais eu preciso saber, além de que você é uma agente duplo e que você ainda me roubou por que não tinha uma munição decente.
-Não é nada disso... Quer dizer em partes....
-Shhiu.
-Por favor... - ele dá um passo a frente e toca o braço de D.
Sem pensar duas vezes ela impede que a mão de Adam a toque, em seguida, ataca. Durante a fúria, D executava movimentos perfeitos de kung fu, Adam apenas se desviava. Uma verdadeira dança de braços e pernas rodando, um show de reflexos rápidos de todos os lados. Mesmo com o cansaço, ela continuava, arranjara um sentimento forte como combustível. No entanto, Adam estava cansado de receber golpes, queria se fazer ouvir. Ele segurou os braços dela, deixando-os cruzados sobre seu peito e de costas pra ele.
-Quer fazer o favor de parar e me ouvir!?
D pára de se debater, era o sinal de que deixaria ele falar.
-Primeiro de tudo: me desculpe. Eu não sabia que as coisas iam precisar chegar a esse ponto. Uma coisa levou a outra e aí... - D golpeia Adam com o pé livre, desfaz o cruzamento dos braços e ainda o lança longe no chão. Ele bate a cabeça na parede e desmaia.
10 segundos para repor o oxigênio, D tentava se recompor. A raiva e o ódio iam passando. Aliás, “por que toda essa raiva?”, pensava. Estava agindo como um dos malucos que sempre ajudou a combater. Como num súbito ela vê o rapaz inconsciente e vai em sua direção para socorrê-lo. Uma pequena abertura na sobrancelha faz um filete de sangue jorrar, além de seus braços estarem com grandes bolotas vermelhas e arranhões ao lado desses hematomas.
-Ai meu Deus, ai meu Deus! Adam acorda – ela o embalava no colo como um bebê – Desculpa, desculpa! Eu vou te ouvir, prometo. Prometo.

Ela levou o Adam desmaiado até o colchonete, e procurou alguma coisa que pudesse colocar para estancar a ferida. Fez o curativo e o deixou descansar. Não arredaria o pé até que ela o fosse toda ouvidos.

**
Bernardo tinha sido um bom anfitrião. Ele apresentou Nina à nonna, que acabou ficando na cozinha ajudando com o prato do almoço. R tinha se empolgado com o pequeno estábulo nos fundos da casa e se aventurou a um passeio de cavalo pela região. C estava ainda pelo seu tour pela área e se deparou com algo que ela suspeitava ser a garagem. Ninguém estava olhando, que mal faria dar uma olhada pra ver se não tinha nenhuma moto? Ela abriu o galpão e deu de cara, não com uma, mas com 4 motos em seqüência e mais uma em fase de montagem ao canto da garagem. Ela ficou deslumbrada e analisava cada uma das máquinas de duas rodas.
-Gosta de motos, gatinha? – Bernardo chega silenciosamente.
C, como de costume, tomou um baita susto – ela estava trabalhando em melhorar isso, não poderia deixar os vilões saberem quando ela tinha sido pega de surpresa.
-Assustei você? – Bernardo ainda tinha um ar meio debochado.
-Não, apenas não estava prestando muita atenção. Nada demais. – respondeu C totalmente recomposta – respondendo a sua pergunta: sim, gosto de motos. E pelo visto você também.
-Digamos que virou meu hobby depois que eu fui obrigado a me aposentar. – ele tinha um olhar meio vago, triste. – Nada melhor que vento na cara para ajudar a aliviar as tensões, quer dar uma volta?
Se por um lado ela queria muito ir, seu lado mais consciente e racional dizia que não era bom dar muita trela para um cara feito Bernardo, ainda mais quando as coisas ainda não tinham sido esclarecidas. O comichão estava crescendo, antes que ele fosse embora ela pegou o capacete mais próximo e subiu na garupa:
-Vamos?
-Rá, você está sonhando se acha que vou deixar alguém dirigir minha moto, nem Adam está apto a fazer isso. Pode ir jogando seu traseiro para o carona – ele falava sério, mas C percebia que era parte do seu charme e da sua tentativa de difícil.
Antes de colocar seu capacete, Bernardo avisou:
-Melhor apertar bem. Eu deixo você se aproveitar de mim – eles partiram pela estradinha pequena e mal asfaltada. C fez o que ele sugeriu e segurou-se firme, conseguiu sentir a essência do piloto. Ela foi ao delírio.

A noite começava a cair, eles voltaram do passeio ainda com os raios do pôr-do-sol.
-Gostou, gatinha? - Bernardo guardava a moto de maneira milimétrica, alinhando-a com as outras.
-Até que foi bonito – C estava de saída pela porta.
-Quer me ajudar a terminar de montar essa aqui? - Bernardo estava do lado da moto quase pronta. - To precisando de um ajudante e aposto que você tem força suficiente, a julgar pelo jeito que apertou minhas costelas hoje o dia todo.
Depois de uma careta bem engraçada ele se agachou e entregou uma ferramenta para C:
-Roda a chave de fenda pra direita, depois devagar pegue a capa de parafuso aqui na caixa de ferramentas e cubra o dito cujo.
C tentava seguir as instruções do rapaz, mas estava bem difícil rodar o parafuso. Ela fazia uma força descomunal, até que sem querer caiu em cima de Bernardo que estava um pouco mais atrás procurando a ferramenta na caixa. As mãos todas cheias de graxa de Bernardo deixaram manchas em C, aonde ele a estava segurando, tentado evitar que ela caísse seriamente. C analisou sua situação e soltou um sorriso de quem iria aprontar. Enfiou uma das mãos na graxa e passou por toda a blusa dele, branca.
-Figlia di p..!
-Ô, você que começou!
-Mas foi pra evitar que você quebrasse alguma coisa! É assim, é? - ele afunda novamente as mãos na graxa e faz um desenho no rosto C.
Eles estavam numa verdadeira luta de sujeira. O ar de indignação dos primeiros segundos se tornaram risos e gargalhadas. Bernardo conseguiu imprensar C imóvel na parede. Os dois estavam agitados, muita coisa pra pensar, mas muita vontade de não ouvir a cabeça. C estava na fase de não racionalizar demais, já tinha feito isso no passeio da tarde – e fora bom – por que não repetir nesse exato momento quando o resultado dava sinais de que seria melhor do que bom? Qualquer medida a ser resolvida ficaria pra depois, ela apenas se deixou levar.

Continua...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A Missão - Parte 9

-Alô? - do outro lado da linha May estava atarefada, prendia o celular entre a cabeça e o ombro.


-May, prepare-se, nós estamos indo fazer uma visitinha! - R anunciava contente.

-Ahn? Tipo agora? É porque to meio ocupada essa semana, sabe?

-Não vamos passar as férias. A história é grande e talvez precisemos de sua ajuda, mas basicamente, só queremos um teto.

-Claro que vocês podem vir pra minha casa. Leo está viajando a trabalho e não tenho que inventar desculpa nenhuma sobre quem são vocês. Dizer que são minha colegas espiãs de Nova York está fora de cogitação.

-Esqueci que o Mattiazzi não sabia de nada - R sempre era um pouco irônica quando se tratava do namorido de May – Você jura que o Leonardo não suspeitou de nada até hoje?

-Não. Mesmo com essa jornada dupla do cão, trabalhando na revista e na espionagem, ele nunca suspeitou. Não vai ser agora que ele irá. Entendido, R?

-Foi brincadeira, ok. Eu curto seu maridinho, queri. Ele é cúl. Escolheu bem.

-VTC, R tire seu mel do meu namorado.

-Não quero seu marido – R gostava de frisar, morou junto pra ela já são casados – Já me arranjei bem.

-Jura?

-Quando a gente chegar aí, nós te contamos tudo e se prepara porque as histórias são longas.



***



Mesmo todas estando loucas para reencontrar com May, a primeira coisa que fizeram após despachar as malas na casa da amiga, foi sair a procura da casa da família De Marchi. R estava contente em ter pegado emprestado a Ferrari novinha de May e poder acelerar o quanto quisesse. D continuava com a cara emburrada desde que saíram de Nova York, pouco falava e fitava constantemente o horizonte mais do que o habitual. Nina estava com os papéis importantes impressos, conseguira a ficha dos De Marchi e iriam à procura de Bernardo De Marchi, primo de Adam.

Num casebre localizado nos arredores de Roma, a pequena caixa de correio sinalizava a família correta. Após tocarem a campainha, elas foram recebidas por uma simpática senhora:

-Quello che vogliono? (o que desejam?)

-Siamo alla ricerca di Bernado (estamos a procura de Bernardo) – apressa-se C em responder em seu italiano perfeito – Egli è ? (Ele está?)

-Bernardo!!! - ela grita para os fundos da casa -Visite! (Visitas!)

-E Adam è ? - pergunta D de repente.

-Non, non vive più qui (não, ele não mora mais aqui)– a boa senhora começa a desconfiar – E voi, qui sono? ( E vocês quem são?).

-Siamo vecci amici, abbiano appena per una visita (Somo amigas antigas, passamos para uma visita, apenas). - C responde.

-Che mi cercano, nonna? (Quem me procura, vovó?) - um rapaz muito alto e com uma beleza de tirar o fôlego surge de dentro da casa.

“Abençoada a genética dessa família”, pensou C.

A nonna se retira e deixa as visitas com o neto. Assim que ela está fora de alcance ele começa a falar sem o menor tom italiano:

-Olha, só, eu sei que vocês são da EDM. Podem ir dando meia volta que não tenho mais nada com vocês. Minha dívida já foi paga – não por mim – mas aceitaram não foi?

-Uou, pera lá. - interrompe R – Primeiro, somos da EDM sim. Segundo, nós só queremos que você esclareça algumas coisas. Terceiro, não viemos acabar com você nem nada do tipo – apesar de termos a capacidade para isso.

-Bernardo, por que seu nome está na lista da EDM? - D começou.

Ele olha para elas de cima abaixo, demorando-se um pouco mais em C.

-Ok, vocês não parecem oferecer tanto perigo – ele jorrava ironia – Entrem.

Na casa da avó, vários porta-retratos da família enchiam os móveis. A família parecia ser grande e parecia também que eles gostavam muito dessa coisa de capturar os momentos que passavam juntos. Em uma das fotos, D reconheceu Adam com um diploma e roupa de formando; outra com ele de terno; e uma última tinham dois garotos com cara de que estavam aprontando, ela reconheceu a cicatriz no joelho de um deles como sendo a de Adam, a outra criança se assemelhava bastante com o rapaz que as guiava casa adentro.

Chegaram ao jardim, aonde a nonna trabalhava um pouco no seu jardim.

-Nonna, credo che la sua pasta è in fiamme (Vovó, acho que o seu macarrão está queimando).

-Dio santo! - ela sai correndo para a cozinha.

-isso não possou de uma mentira, não foi? - C começou – Não devia ter dito isso a ela coitada!

-Ela vai ficar encucada e vai ficar lá dentro tomando conta da pasta. - ele diz sem o menor peso na consciência – Então, vamos direto ao assunto?

Todas elas estavam meio chocadas com a frieza com que ele tratava a, aparentemente, tão boazinha nonna.

-O que levou você a ser preso e o que o Adam tem a ver com a história?

Ele revirou os olhos e continuou em silêncio. C se irritou:

-Olha aqui seu babaca, é melhor você ir abrindo o bico, ou não seremos tão boazinhas assim, entendeu?

Ele esboça um sorriso:

-Uh, gatinha durona, hein?

-Você não faz ideia – ela responde.

Nina e R continuavam indiferentes a tudo aquilo, D ainda estava brava e parecia estar se segurando muito para não usar a arma que estava escondida na sua cintura.

-Ooookkk.... - Nina começa – Sem ânimos exaltados. Bernardo, você responde às perguntas e nós vamos embora, sem prender você ou lesioná-lo de alguma maneira. Vai ser apenas um favor.

-Tá bem. Eu conto, se acalma aí, gatinha – ele olhava pra C que ainda tinha os fogos saindo pelas ventas, R a segurou na cadeira – Tudo começou quando eu entrei pra EDM aqui da Itália. Estava numa das minhas missões, disfarçado, quando alguma coisa aí nesse meio todo deu encrenca, fui preso e meu primo, digamos “pagou” a fiança. Pronto. Contei tudo, addio.

-Só uma coisa Bernardo: mais detalhes. - D se manifestou.

E mais uma vez ele revirou os olhos, continuou.

-Era uma missão para descobrir os planos da máfia italiana, alguma coisa a ver com novos negócios com máfias internacionais. Era simples, eu me infiltrava lá (o que não foi nada fácil) e relatava cada movimento deles. Estava indo tudo muito bem, até que (até hoje eu não sei porque) alguém me dedurou para a polícia. Fui preso acusado de integrar a máfia e perdi todos os contatos da missão. Perdi inclusive meu direito de ser agente internacional e acusado de traição por todos daquela merda de agência. Adam, meu primo, não estava na missão, mas ele viu que meu projeto estava claramente marcado como fracassado antes mesmo de começar. Ele ameaçou denunciar ao órgão superior, mas ao invés disso, ele ficou com medo de que algo acontecesse comigo - era possível ver o ódio crescente em seus olhos, ele bateu na mesinha em sua frente – Desde então ele faz tudo o que aqueles filhos da mãe querem. Inclusive ser taxado de agente duplo em sua ficha.

-Então, ele está nessa “missão” que envolve a gente? - D tinha prestado atenção em cada palavra que o rapaz com calça jeans e blusa branca a sua frente disse.

-Eu não sei o que ele está fazendo. Ele não me diz! Acha que vou fazer alguma besteira assim que souber. -as palavras dele foram um balde de água fria no desejo de D em saber em que Adam tinha se metido. Vendo isso, Bernardo completou – Uma coisa eu sei: Adam está num apartamento em Roma nesse exato momento.

O rapaz acertou na mosca. Um breve sorriso de esperança apareceu em D. Ele entregou um papel com o endereço. Todas estavam se levantando quando ela diz:

-Não! Quero fazer isso sozinha.

Elas se entreolharam, não impediriam que ela fosse, mas no fundo Nina achava que D estava obcecada demais e isso não era bom. C também temia por deixar ela sozinha. R não gostava nada da ideia também, mas acabou dizendo:

-Você já sabe, qualquer coisa, conte com a gente. Nós daremos um jeito de te socorrer.

D entrou no carro e cantou pneus.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A Missão - Parte 8

Os primeiros raios da manhã incidem pela pequena abertura entre as cortinas. D estava morta de cansada pela noite de ontem, mas seus olhos abriram o suficiente para encarar Adam ainda dormindo feito anjo. Algo dentro dela dizia para ela acreditar que aquilo não era um sonho. Tinha sido muito bom e muito real. Pra que acordar para a realidade onde alguém estava tentando matar ela e suas amigas? O melhor que ela tinha a fazer e fez foi voltar a fechar os olhos e se embalar nos braços do rapaz ao seu lado, emaranhados nos lençóis.


***
Ainda na noite anterior...

Assim que viu do que se tratava, Nina acordou R e C. Mesmo elas tendo reclamado, e muito, de terem saído da cama antes da meia noite, elas perdoaram quando viram que o negócio podia ficar sério.

-Quer dizer que Adam foi contratado para esse grande rolo que a gente não sabe direito para o quê serve? - C tentava entender melhor.

-Pois é! Uma pena os arquivos estarem quebrados e estarem faltando algumas partes – Nina andava de um lado ao outro da sala – Mas consegui extrair uma informação importante. Acho que devíamos procurar por D, e logo.

-Tecnologia existe pra isso. Já tentou o celular? - R está realmente preocupada, mas não consegue segurar o bocejo.

-É claro, né. Foi a primeira coisa que eu fiz. Ela não atende- Nina agora se joga no sofá.

-Então, só tem um jeito: vamos sair e procurar por ela. - sugere C.

Em acordo unanime, todas se levantaram e se prepararam para sair. Novamente, separar para conquistar.

Nina pega o pequeno cartão do “Le Restaurant” que ainda estava em seu bolso. “Vai ficar pra outro dia, pena”.

***
As meninas só voltaram quando o sol estava raiando. Caindo sobre tudo o que era macio, C e R deitaram no sofá e por ali ficaram. Nina tentaria pela última vez no celular, senão conseguisse nada depois disso começaria a rezar para que estivesse tudo bem. Um barulhinho estranho ecoava pela casa, algo como um toque de celular. Nina sobe correndo as escadas. A musiquinha ela a menina até o quarto da amiga, ela entra devagar e vê D dormindo. Nina não quis saber se estaria fazendo um escândalo, correu e gritou para a amiga:
-D!!!! VOCÊ ESTÁ MALUCA EM NÃO ATENDER SEU CELULAR??!! QUER MATAR TODAS NÓS DE PREOCUPAÇÃO!!!??

D abre os olhos assustada e muito confusa. Ela vê que o escarceu vêm da menina um pouco mais baixa que ela.

-Bom dia pra você também, Nina. Por que o aoe, mammy?

-Desce agora e te mostro o porquê. - ela agora controlava a voz e mantinha-se mais calma, ela se virou e saiu porta a fora

D estava ainda com muito sono e com toda aquela confusão que a despertara, ela não percebeu que não estava acompanhada. Quando chegou a essa conclusão ela saltou da cama. “Deve ter se escondido no banheiro”. Ela corre até lá e nada. Dá porta do banheiro ela visualiza todo seu quarto, reparou que as roupas de Adam não se encontram mais espalhadas pelo chão. A porta do armário está parcialmente aberta, não que ele estivesse escondido por ali, era pequeno demais, mas ela quis checar. O fundo falso do armário continha uma parte do seu arsenal de armas, aquelas de mais fácil acesso e – por que não? - as preferidas. Não estavam ali. Nenhuma delas estava aonde ela se lembrava de ter guardado. Adam as tinha roubado, mas como? Por que? Justos as preferidas. “Filha da mãe!”

D desceu as escadas furiosa, batendo pé degrau após degrau:

-Aquele miserável me roubou! -gritava do topo da escada ainda.

-O quê? - todas se viraram para o furacão que D se transformara.

-Ele-me-rou-bou!! - ela falava pausadamente.

-Antes de você começar a rogar seu ódio por coisa pouca, veja só isso. -Nina pegou o laptop que estava no modo dormir, mostrou para D o que ela tinha visto ontem à noite.

-Eu sei que você realmente gosta dele, mas o que a foto do seu ator de TV favorito tem a ver com a história?

Intrigada, Nina desvira o computador e se espanta.

-Ele também MEXEU nas minhas coisas!!! Ele levou o arquivo e deletou! Filho da p...

-Wooow! Ele realmente acha que está brincando com a gente, está é brincando com fogo. - R sentencia.

-Esse não é o problema – começou Nina – tenho uma cópia de cada um desses arquivos importantes carregados comigo no outro pen-drive.

Ela balança uma pequena garrafinha de Coca-cola com entrada USB que etava pendurada em seu pescoço como um colar.

Agora com o arquivo correto para mostrar, Nina entrega o notebook novamente para D.

-Ele foi contratado pela EDM internacional há 5 anos e saiu ano passado por “motivos de força maior”?- D continuava chocada.

-Pelo visto, sim. - C continuou –. Parece que a família dele estava envolvida em encrencas e a sua demissão ocorreu na mesma época que o priminho dele teve probleminha. A melhor parte vêm agora: a família de Adam mora na Itália!

-Vocês acham que ele fugiu pra lá agora? - R pergunta.

-Vamos descobrir – D se levanta e pega alguma coisa como um espelhinho de bolso, aperta um botão e vários pontinhos vermelhos começam a piscar no “vidro – Parece que ele está em trânsito, em algum avião qualquer indo pra Europa.

-Opa! Posso ter esperanças de ser a Itália? - C não esconde a excitação.

-Pela rota, pode sim.

C soltou uma comemoração monossilábica e praticamente silenciosa.

-É ISSO!- exclama R.

-O quê, mulher? - pergunta Nina.

-É que na boate, eu tinha ouvido alguém falar em Itália. - “Por isso o cruzar oceanos. Tinha esquecido de falar com elas, ô cabeça”, pensou. - E meio que fiquei com a ideia na cabeça. Se eu lembrasse da cara do sujeito....

-Então vamos fazer as malas. - sugeriu Nina.

-Enquanto isso, vou ligar pra May agora! - R pega o telefone – Vamos mandar ela arrumar os quartos de hóspedes ou fazer reservas no hotel mais chique de Roma.
 
Continua...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A Missão - Parte 7

-Qual dos dois vestidos? - D aparece na sala com dois vestidos, um vermelho na altura dos joelhos (mais solto e comportado) e outro champagne (mais curto e justo).

-Não sei, não pergunte pra mim. Você sabe que eu não gosto muito dessa coisa toda de moda e escolher roupas. Aprendi o básico para me virar um pouco em cada lugar – sem nem tirar os olhos da TV, C dá de ombros.

Do quarto, ouve-se R dizendo:

-Tanto faz, o vestido será a primeira coisa a sair. To brincando, gente! - ela completa depois que todas olhavam com cara de desaprovação.

-Vai com o vermelho. Comportado, porém chamativo. - disse Nina da cozinha.

D volta para seu quarto refletindo sobre a opinião da amiga.

-Não sei porque ela JÁ está se arrumando... Ainda faltam duas horas para ela sair! - pergunta R que chega à sala e junta-se a C.

-Porque ela está nervosa e não quer esquecer de nada. - Nina responde.

C e R dão de ombros.


***

Nina está de volta no computador, as coisas tinham ficado lentas e a varredura parou nos 90% a mais de 3 horas. Resetar era um coisa que ela não faria nem a pau, tinha fé de que tudo andaria normalmente em breve. Enquanto esperava, ela resolveu fazer alguns quitutes. A casa toda cheirava a bolo e biscoitos. C e R já haviam roubado alguns da primeira fornada, agora todas elas dormiam, descansavam da grande noite anterior e se preparando para, quem sabe, a do dia. D já tinha saído de casa para se encontrar com Adam. Estava tudo muito silencioso, eram só Nina, as massas e o computador ligado e rodando.

Nina resolve ir ao supermercado, afinal, faltavam muitos ingredientes naquela casa. Guadalupe só iria às compras na segunda de tarde, não dava para ela esperar até lá. Pegou sua sacola de compras e seus trocados. Ela gostava um pouco dessa parte, escolher os ingredientes, ainda mais quando sabia exatamente a receita que iria fazer. O supermercado estava um pouco cheio, muitas famílias fazendo as compras da semana. A seção de vinhos estava vazia, ela se interessou por um para beber aquela noite, enquanto estaria sozinha olhando para aquele computador, não pegaria nenhum da adega de C - não teria coragem. Contudo, ela não sabia qual escolher. Eram tantos e todos pareciam tão bons... Ela pegava uma garrafa, via a procedência, analisava por alguns segundos e devolvia à prateleira. Fez isso com as várias outras garrafas.

Uma voz surge de trás e pega Nina de surpresa:

-Precisa de ajuda?

Ela se vira e vê um rapaz que tira seu fôlego. Moreno, de olhos azuis e um sorriso arrebatador – esse rosto não lhe era estranho. Ele tamborilava em seus óculos escuros, quando eles não estavam dançando em suas mãos. O rapaz aponta para a garrafa que Nina segurava:

-Esse vinho é muito difícil de combinar com pratos comuns. Porém, é perfeito para os paladares mais exóticos.

Ela permanecia em silêncio, não sabia se falava ou se cortava o papo antes que começasse uma troca de flertes. Decidiu dar corda.

-Na verdade, não é nenhum prato especial. Será apenas a companhia do vinho. Eu e o vinho.

-Então, para isso.... - ele percorre todo o corredor até a ponta na extrema direita e pega uma garrafa escondida lá no fundo – Não é o melhor lugar para se comprar vinhos, mas é ótimo para emergências.

-Não é tão emergencial. É só um plano B, não estou na fossa e não é para ter uma ressaca. Distração é a palavra certa.

-Desculpe, não quis insinuar que você tomaria um pileque.

-Obrigada, pela dica, até mais. - ela girou pelos calcanhares e andava na direção contrária do rapaz.

-Espere. - ela o ouviu gritar ao fundo – Me desculpe, mesmo.

Ela via um grande ar de arrependimento e um pouco de falta de jeito. Mas no fundo, torcia para que ele se redimisse em grande estilo.

-Já sei – continuou ele – venha ao meu restaurante antes que ele abra. Posso lhe oferecer uma degustação gratuita.

Ele entrega um cartão para ela 'Le Restaurant'. Nina fica em dúvida novamente, apesar de sempre sonhar com esse tipo de abordagem, não acreditava completamente na veracidade dos sentimentos. Porém, ela acordou com uma espécie de precentimento, que mandava ela deixar fluir pelo menos dessa vez.

-Muito bem, chef. Que dia e que horas?

-Hoje, quando o expediente acabar. Pode passar lá, estarei esperando. Aliás, meu nome é Mathew, mas pode chamar de Matt – ele estende a mão para um aperto amigável.

-Nina – ela retribui o cumprimento – Vejo você por volta da meia noite.

E ela voltou rumo ao caixa.


Em casa novamente, depois de mais algumas fornadas e os potes cheios até a tampa de biscoitinhos, o computador apita. Finalmente, a espera acabou. Nina corre para ele e começa a ver os segredos escondidos nos arquivos do EDM. Nada demais nas primeiras cinco folhas. De repente, Nina pára chocada. Isso sim é grande, muito grande.

***

Como um lord inglês, Adam chega a casa das meninas na hora combinada. Ele toca a campainha, não demora muito até que D desça para atendê-lo. Ela tinha seguido as dicas de Nina, colocou o vestido vermelho, prendeu os cabelos num coque meio solto - para não parecer antiquada demais - e usava seu salto alto mais confortável. Adam fazia uma cara engraçada, algo entre o deslumbrado e contente por ter tomado a iniciativa.

Ele também não ficava para trás, vestia sua melhor camisa e um blazer azul-marinho que ressaltava seus olhos.

-Acho que adivinhei o nível de formalidade – disse D assim que fechou a porta e se virou para o rapaz.

-Muito boa a sua intuição. Podemos? - Adam oferece o braço para D.

-Acho que estamos exagerando na formalidade. - mesmo um pouco relutante, ela cede e e se envolve nos braços de Adam. “Hum, fraco ele não é”, pensa ela.

Os dois seguem caminhando até o restaurante. A conversa estava boa, pareciam ter muitas coisas em comum, apesar de ambos estarem escondendo algo. No final do jantar, Adam vira e sugere:

-Estou com vontade de dançar, vamos para uma danceteria!

-Ah Adam, não estou a fim de ir pra boate nenhuma. Não leve a mal, mas não gosto muito dessas coisas.

-Não, D. Não é boate. É uma danceteria onde as pessoas vão lá SÓ pra dançar! É muito divertido, uns amigos bailarinos que me deram a dica. Aposto que você vai gostar.

“Amigos bailarinos? Que coisa mais estranha”, pensa D.



Passadas as portas, tudo parecia alegre e festivo. Vários palcos espalhados pelo salão, além de uma grande pista de dança. Ambos lotados. Adam puxava D para o meio da pista , enquanto dizia um breve olá aos amigos que já estavam lá. Ela estava um pouco travada:

-Você não gosta de dançar? - seus olhos azuis eram quase uma súplica, caso a resposta fosse uma negação.

-Claro que gosto. Mas, tenho vergonha... - ela evita encarar o rapaz, ele mexia muito com os sentidos dela.

-Ninguém tá olhando. A maioria aqui está mais preocupada com o próprio desempenho e no aperfeiçoamento de técnicas. Resumindo, ninguém vai dar bola pra você. Só eu, claro.




Adam conseguiu convencê-la. Aquilo que começou lentamente, com aqueles passinhos de dois pra lá e dois pra cá, aumentou o nível. Em pouco tempo, podia-se admirar o casal dançando. O vestido vermelho dava o contraste, a bainha girando aos movimentos de rotação. D não tinha mais vergonha, dançava bem ao ritmo da música e harmoniosamente com seu belo par.
Por volta das 2 da manhã, eles finalmente pararam e resolveram que estava na hora de voltar:

-Mal posso sentir meus pés! Viu o que você fez? - D brincava.

-Desculpe, se estraguei seus pés de valsa, senhorita – Adam não parava de sorrir – Tenho uma solução.

Ele a pegou pelo colo e foi levando até o táxi parado na esquina. O velho taxista não se impressionava com mais nada, já tinha idade e quilômetros suficientes para saber que nessa cidade era melhor não emitir sua opinião e ficar na sua, por mais estranha que a situação fosse. A endorfina estava a mil. Eles não conseguiam se desgrudar e não paravam de rir nem por um minuto. A chegada até a casa de D foi rápida, para eles, demorada para o taxista.

As despedidas na soleira da porta estavam prestes a começar, mas nenhum deles abria a boca. Ficavam observando um ao outro, minuciosamente. A tensão era tanta que D podia sentir que suas mãos começava a suar (uma coisa muito rara para quem precisa ter as mãos firmes e as emoções controladas para atirar perfeitamente). Num rompante, Adam novamente tomou a iniciativa e beijou D. A partir de agora não poderiam ficar no lado de fora, certas coisas são melhores na exclusividade.

Continua...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A Missão - Parte 6

R sai, abre a porta lentamente. O cheiro de ovos com bacon vindo do fogãozinho de duas bocas empesteia o lugar, agora ela sentia o balanço do mar. Em frente ao balcão da cozinha (que tinha um prato enfeitado e alguns papéis em volta), uma mesa com o que pareciam mapas de navegação. Fotografias coladas com durex cobriam todas as paredes. Na estante, também abarrotada, ela reconhecia alguns títulos de livros muito interessantes, daqueles que ela considera literatura boa. Dividindo o espaço havia filmes cult e trash – mesmo que escondidos no fundo da prateleira.


-Ah, que bom que você saiu, estava começando a me preocupar.

R observa calada, mas reuniu um pingo de coragem para fingir que sabia muito bem o que estava fazendo e que tinha consciência da sua sedução. Treinada para isso.

-Estou bem. Hum, você tem muita coisa interessante por aqui. - ela passei com os olhos sobre a estante.

-Você disse isso ontem – ele ri.

-Disse? Não lembro...- mesmo sem graça ela continua mantendo seu ar glamour- O que mais eu disse, hein?

-Quem sabe durante o café você lembre? Ovos?

-Não, obrigada... Obrigada, você

-John Wilmot. Nossa você apagou mesmo da cabeça a noite anterior.

-Pois é, sobre isso aí. Temos que esclarecer. O que aconteceu depois que você me convidou para um lugar mais calmo?

-Eu?

-Ééé. Eu lembro de você me dizendo que ia pegar mais uma bebida e depois disse para irmos para um lugar mais calmo...

-Eu não disse isso. Na verdade, eu vi que você estava meio mal, vagando pela pista de dança e achei melhor cuidar de você.

R estava muito confusa, alguns flashbacks surgiam em sua cabeça. Realmente não era com ele que ela estava flertando. Lembrou que C já tinha deixado ela sozinha e que já passava das 4 da manhã, porque o barman de lá faz um sorteio de drink especial sempre nessa hora e ela tinha ganho. Sua mente estava começando a trabalhar a todo vapor. Depois, um homem estranho lhe pagou um o drink mais caro da casa e falou que queria conversar com ela. Precisava falar com C de qualquer jeito e a procurava em vão na pista de dança. Uma camisa xadrez impede que ela caia no chão e a segura. Fim das lembranças da noite.

-Então, recapitulando, você me trouxe para seu barco por que???

-Você dizia algo como, temos que cruzar o oceano. Como você não estava bem, achei que você se referia a ir a Manhattan.

-Cruzar oceano? - um clarão de esclarecimento surgiu – Vai demorar muito para chegar?

-5 minutos. Mas a companhia foi tão ruim que você quer sair logo? - ele colocou seus óculos de armação grossa e roçava em sua barba por fazer, tinha um ar meio entristecido.

Aquilo mexeu R. Não era para magoar de alguma forma o homem que pelo visto tinha a salvado de poucas e boas, ainda mais com aquela aparência que a fazia suspirar escondido.

-É brincadeira, desculpa se te deixei desconfortável. - ele disse logo que percebeu a expressão de R.

Ela sentiu que precisava se redimir um pouco:

-Ovos com bacon, não é? Vamos ver se você é bom de cozinha.



>>




-Você disse que faltavam 5 minutos para chegar. Já estamos aqui há meia hora.

-Até parece que você não gostou... - John joga o resto de seu cigarro dentro do cinzeiro e se recosta na cabeceira da cama – de ter ficado mais tempo.

R se vestia ao som de Bob Dylan ao fundo. “Tenho bom gosto”, pensava ela bobamente.



Quando aportaram na marina, Nina, D e C esperavam pela amiga – exatamente como prometido – elas observavam o atracar do barco e R saindo tranquilamente lá de dentro, seguida por John.

-Nível de periculosidade? - indagou Nina.

-Só se for de alta combustão, if you know what i mean – responde D.

-Então, R, aproveitou seu passeio pelo visto, né? - C diz irônica.

Com um pouco de vergonha, ela se junta às amigas e dá um breve aceno de despedida.

-John é uma pessoa muito simpática. - R diz

-Agora se chama simpático – C ironiza mais uma vez.

-Ele me lembra alguém... - Nina coloca a mão no queixo, como naquelas comédias bobinhas – Um artista...

-Pra mim ele é a cara do Johnny Depp – D fala.

-ISSO! - as amigas dizem em uníssono.

-Não, gente. Parem com isso, nada a ver...Ah, ele lembra um pouquinho sim. Mas só um pouquinho.
 
Continua...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A Missão - Parte 5

Feito todo o caminho de volta, Nina e D se juntaram a C e R nível 1. Ninguém suspeitou da presença delas no prédio, aparentemente não, pelo menos. Já era de madrugada quando todas foram dormir. Estavam exaustas e tinha feito um ótimo trabalho no EDM. Mereciam uma boa noite de sono. Contudo, a sexta-feira amanheceu e todas já estavam de pé, reunidas na sala de estar. Na pequena reunião matutina, ficou decidido que nina passaria o dia inteiro em casa analisando os arquivos. Parece que fazer o download realmente foi fácil, mas os próprios documentos estavam melhor protegidos. “Não tão idiotas assim”, disse Nina um pouco irritada por ter que, novamente, passar o dia sentada no computador.

C e R iam para o trabalho, agiriam como se nada tivesse acontecido e quando perguntadas sobre o porquê de terem voltado tão cedo diriam que os planos de viagem murcharam devido a incompatibilidades, criariam um pequeno clima de desentendimento só para manter as aparências.

D foi até o centro. Precisava comprar alguma coisa para o encontro de sábado, estava bem nervosa. Passou a manhã correndo de loja em loja, nada parecia ficar bom. Sua paciência havia se esgotado. Resolver passar para ver uma amiga. D entrou numa loja onde se alugavam livros e filmes. A sinetinha da porta toca, ela logo avista a amiga no balcão arrumando uma pilha de caixas.

-Muito trabalho por hoje, I?

-Resus, que susto!

-Mas a sineta tocou!

-Eu não estava prestando atenção, oras.

-Enfim, tem alguma coisa nova pra mim?

-Você deu sorte, acabou de chegar. Estão novinhas em folha.

I abre as caixas que estavam por baixo. Nelas várias maletas com pistolas nunca usadas.

-Elas são pequenas mas são de longo alcance. Estavam em teste, mas acho que você não liga muito para esse detalhe.

D estava contente. Não tinha comprado roupa nenhuma mas saiu com mais duas armas para seu arsenal e de quebra alugou uns livros e uns filmes clássicos para todas assistirem quando tudo aquilo acabasse.


****

A noite chega e sexta-feria é dia de sair. R e C decidiram sair para espairecer. D ficou em casa para fazer companhia a Nina e, também, porque sempre achava sacal essa coisa toda de boate, por mais drinks que ingerisse nada ficava tão feliz e colorido como as pessoas diziam ser. Ah, e o mais importante, ela não queria acordar de ressaca mo dia seguinte e ter que se entupir de remédios para se sentir melhor à noite quando fosse sair. Prevenir para não remediar.

Nina estava tendo trabalho dobrado, a todo momento apareciam códigos para serem quebrados e firewalls para serem desbloqueados. Ela acabou adormecendo no sofá com o notebook no colo. De manhã, numa hora não cedo, Nina é acordada por D:

-Nina, você viu R e C voltando? - a menina tinha se erguido e se posto sentada num único pulo, ainda meio sonolenta ela negava com a cabeça – Eu sei que vai ser impossível falar com alguém, mas você liga pra R e eu tento achar C.

Mal elas pegaram o celular, a maçaneta da porta da frente gira e a porta se abre. Com certa dificuldade de coordenar seus movimentos, C entra de volta em casa:

-Antes que vocês duas DIGAM alguma coisa, em minha defesa, anuncio que parei com essa vida. Minha cabeça é a prova viva de que não voltarei a por álcool na minha boca. Só socialmente.

-Ok, nós vamos acreditar nisso por enquanto – falou Nina

-Mas cadê a R? - questionou D.

O celular de C toca.

-Alô?

-C, onde você está?

-Eu é que te pergunto isso, mulher! Onde você está?

-Olha, exatamente, estou trancada no banheiro sentada na privada e falando ao celular...

-COMO você foi parar aí? Vou te colocar no viva-voz.

-Alguma coisa aconteceu entre o “pegar mais uma bebida” e “vamos para um lugar mais calmo”, o quê necessariamente ainda é meio vago.

-O quê todas nós suspeitamos – disse D – a pergunta certa seria, em que lugar da cidade você está?

-Aí está o problema, eu não estou na cidade. - todas se entreolharam muito intrigadas e até receosas – Estou num barco, algo entre a ilha de Manhattan e a cidade....

Silêncio...

-Alô? Alô? C? Nina? D??

-A gente não sabe se ri ou se chora -diz D.

-Rir, definitivamente rir – C decreta.

Dito e feito, todas caem na gargalhada.

-Não tem tanta graça! Parem de rir! Ai saco – R ficou de mimimi

-Pera -D começa, ainda com dor na barriga – Você ligou pra quê?

-Eu contava com a little help from my friends. Mas pelo visto vocês preferem rir da minha desgraça.

-Em que vida estar numa, suponho, lancha de algum milionário do Upper East Side é algo ingrato? - pergunta C.

-Tá, desgraça foi exagero, mas eu não sei como sair dessa, estou trancada no banheiro (muito elegante, por sinal), não lembro da cara do sujeito e to com medo de sair e descobrir o tamanho da burrada que eu posso ter feito.

-Se quiser a gente pode tentar ir até Manhattan e salvar você na marina. Até lá, você vai ter que se virar sozinha. - sugere D.

-Tenho uma ideia melhor: por que vocês não pegam os jet-skys e me tiram do meio da água?!

-Eles quebraram, lembra? - Nina refresca a memória - Naquela missão em Cingapura, quando batemos em recifes.

-Ah - R desanima com a recordação.

-Ou seja, vamos te esperar na marina. Temos certeza que você sabe se cuidar. Afinal, você é ou não é uma agente internacional? - C fala com energia – Mulher, onde estão os seus colhões?

-Provavelmente com minha dignidade – R estava chateada – Se vocês não tiverem aqui quando eu chegar ou eu não voltar em 24 horas, vocês se arrependerão amargamente por não terem vindo me resgatar, nem que tivessem usado tartarugas marinhas amarradas como transporte!

R desliga na cara delas e atira o aparelho sobre o cesto de toalhas. Ela ouve alguém bater na porta:

-R, tudo bem com você? Está aí há tanto tempo, espero que não seja por causa do balanço do barco...

-Nãoo, tudo bem. Já estou de saída – o pânico passa pela cabeça de R. “Você é poderosa, pode fazer o que quiser, onde estão os seus culhões?? Essa é uma boa pergunta, agente internacional!”, pensou.
 
Continua...