segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A Missão - Parte 4

Chegando à Big Apple, a primeira medida a ser feita é ir até à sede do EDM. Fica num prédio comum no centro da cidade e pessoas comuns trabalham de maneira comum, ou pelo menos acreditam trabalhar para uma empresa comum. Precisavam observar cada movimento dentro do prédio. Então, como fazer isso sem serem reconhecidas?


-Alguém aí tem medo de altura? –Nina lança um olhar de quem acabou de ter uma grande ideia.




Estavam no carro, a caminho do ateliê de uma amiga. Carol era uma amiga das meninas, ela era responsável pela parte de vestuário das missões.



-Pera, explica de novo – C estava muito receosa com esse novo plano.

-É o seguinte: nosso objetivo principal é entrar no EDM e tentar achar o Jeff. Como não temos acesso pelas escadas como pessoas comuns, vamos entrar como só verdadeiras super espiãs podem. Se não me engano, da última vez que fui buscar nossas roupas camufladas, eu vi que a Carol tinha feito novos acessórios. Entre eles eu vi um cinto maravilhoso!

-E o que tem isso a ver com o plano de entrar e aquela parte da altura? – C tentava se acalmar.

-O cinto não serve só para segurar as calças, ele também serve para escaladas! – Nina está radiante com a pista que deixara para as meninas adivinharem, contudo não obteve tanto sucesso – Gente, o cinto é expansível!!!!

-AAAAHHHHHH – a exclamação foi uníssona.

-E de quebra acho que vi umas botas com solado de imã especial, dá pra andar pelas vigas de metal do prédio! – conclui Nina orgulhosa pelas lembranças.





Do alto do prédio de mais de 30 andares, 4 limpadoras de janelas se revezavam em dois andaimes:

-Olha, ainda bem que está nublado por aqui hoje. Se o sol estivesse a pino ia ser muito difícil – C enxuga o suor na manga.

-Eu pensei que esses vidros fossem temperados e apenas contra os raios UVA, mas parece que tem um pouco daquele insufilme- R tentava esconder uma câmera no encontro entre vidro e a vigas de metal – Bota mais espuma nesse vidro, Dorianne, daqui a pouco vão começar a ver que a gente não tá limpando vidraçaria nenhuma!

O celular de C toca.

-Anda mika caracol, as Danis já acabaram a parte delas!

-Ai, to indo, C. To indo, to indo... Pronto, pode enxaguar.





Elas esperaram o sol se por. De noite é sempre mais fácil invadir os corredores vazios, menos disfarces, menos gente para ficar de olho. Depois de um dia inteiro monitorando o funcionamento de todos os andares, encontraram um setor muito suspeito:

-Tinha que ser no trigésimo andar? – reclama C.

-Essas coisas nunca facilitam a nossa vida – R decreta.

-Calma, meninas, estamos muito bem equipadas. Eu confio nos meus amiguinhos tecnológicos – Nina faz um pequeno carinho no seu laptop.

-Falei com a Ju hoje de tarde, ela disse que o clima está muito estranho nas salas dos chefões. As reuniões estão mais curtas e os diretores estão indo todos os dias pra lá para tratar de “assuntos extraordinários” – relatou D – Bom, a gente pode se instalar na sala dela, ela deu acesso livre, aí....

D é interrompida por seu celular que vibra e dança pelo chão, na tela o número 8149485 é desconhecido. Ela atende:

- Oi D. – uma voz suave falava do outro lado, ela não podia acreditar.

- Adam? Nossa, estava pensando em te ligar ainda hoje. – mentira deslavada, apesar da vontade, a vergonha lhe impedia de agir.

-Como... Como você conseguiu meu telefone?

-Digamos que... tenho meus métodos.

As outras estavam tão surpresa quanto D, aquele não era seu celular convencional, era uma linha particular exclusiva para assuntos secretos do EDM.

O papo estava se estendendo mais do que deveria, o tempo era curto e elas não tinham a noite toda. Depois de muitas tentativas de cortada, finalmente D desliga o telefone. Seu rosto dizia que a conversa com Adam surtiram como gás do riso na menina, era visível o quanto ela tentava esconder o sorriso.

-Conta de uma vez, chega de suspense! – R desebunchou.

-Elevemnosábado – ela mal conseguia pronunciar as palavras, estas saíram baixas e atropeladas – Ele vai vir no sábado!

-Ai meu Deus, muito bem amiga, agora foco na missão de hoje a noite, ok? Temos amanhã o dia todo pra você contar cada letra que ele disse nesse telefonema. – C estava séria, ainda suspeitava da ligação surpresa de Adam, mas não queria que a amiga também ficasse desconfiada e perdesse o foco.

-Ok, vamos recapitular o esquema? – D se recompõem - A troca de turno dos seguranças é daqui a ... nossa, fiquei esse tempo no telefone! ... daqui a 8 minutos. Disfarçadas entramos pela ala dos empregados terceirizados e subimos até o trigésimo...

-Ai, minha pernas... – C lamenta.

-Todo tempo gasto na academia serviu pra que? – Nina pergunta

-Eu não fui tanto tempo assim... – C estava sem graça – A única academia que eu levei a sério foi a de artes marciais, por que né, ela é beeem útil. Na academia regular as coisas me entediavam, preferi fazer polonês.

-O polonês não vai fazer suas pernas subirem trinta andares, honey – R botou lenha.

-Certo! – D interrompeu a troca amável de sarcasmos – Chegando na sala da Ju, entramos na ala dos manda-chuvas super secreta que nenhum dos outros diretores tem acesso. E...

-E finalmente descobrimos que história é essa de mandarem os caras durões do EDM virem atrás da gente, vamos acabar com esses sacanas – se empolga R.

O plano deu início exatamente às 23:52, quando ocorria a troca de turno dos seguranças nas quintas. Era um horário esdrúxulo para que ninguém copiasse, cada dia da semana tinha um horário diferente e toda semana eles eram mudados. Óbvio que descobrir o horário do dia era fácil, segundo Nina “essas empresas terceirizadas nunca atualizam os seus sistemas operacionais”, em menos de 10 minutos ela acessou os dados da empresa enquanto observavam a rotina do prédio durante à tarde.

Os disfarces de C estavam perfeitos, ninguém desconfiava que aqueles homenzarrões não passavam de 4 jovens mulheres. C e R ficaram de vigia, mantendo seus papéis de seguranças; Nina e D entraram, ficaram em dupla mais pelo fato de ter alguém dando cobertura, já que copiar informações de um computador super bloqueado – mesmo sendo o maior gênio da computação do último século - e imobilizar bandidos não são tarefas fáceis de se realizar sozinha. Além do mais, não custa nada levar quem é uma atiradora de elite.

Os obstáculos são sempre os mesmo: seguranças no nível 1; senhas de 4 dígitos, com apenas duas chances para a margem de erro; reconhecimento digital e/ou ocular; raios laser prontos para dispararem e queimarem ao menor toque; e, por último, mas não menos importante, sensores de calor, mais do que 15 minutos na câmara é disparar os alarmes e ainda ficar trancada com paralisação total dos geradores de oxigênio. Piece of cake.

Passar pelas senhas foi até fácil, elas usaram um equipamento que permitia enxergar resquícios de calor deixados pelos dedos. Pra ajudar, um gerador de senhas combinou os três números mais prováveis.

-Qual você acha que é o certo? – Nina analisa as sequências.

-Você vai perguntar pra mim? A gênia aqui é você, tá mais acostumada com essas coisas. – D exita – Se bem que, se levarmos em consideração que o botão do número ‘5’ foi apertado duas vezes e tem duas marcas distintas, significa que a combinação com dois ‘5’ seguidas está errada. Logo, só sobra essa aqui.

-Viu, você também é boa nisso.

-Pura sorte, amiga, pura sorte.

Chegava na parte mais complicadinha segundo Nina, a identificação digital e ocular dependia única e exclusivamente do bom funcionamento dos apetrechos. Ela mesma dizia: “Nunca é bom ter que depender 110% nos equipamentos”. Esses 10% são as interferências humanas, as emoções e intuições que movem parte dos homens.

Nina calça umas luvas de couro molengas e entrega a D um par de óculos enorme.

-São para copiarem os últimos vestígios deixados por aqui. Tecnologia fashion by Carol.

Pequenos feixes luminosos analisaram os óculos de D que passaram no teste, contudo as luvas de Nina enfrentavam uma pequena rejeição. Tinham apenas mais uma chance antes que fossem pegas. Nina ajeita a luva deixando-a bem grudada à mão. Era hora de rezar para todos os Santos existentes na Igreja Católica.

“Passagem autorizada”, a voz de computador anuncia. Nina e D respiram aliviadas. Agora vinha a parte divertida: brincando com os raios lasers. Para desativar os feixes deveria passar um cartão de identificação e digitar uma senha para se obter o caminho livre.

-D, não sei se temos tempo para esperar enquanto eu forjo uma traja magnética e a combinação de senhas...

-Nina, não se preocupe. Vai começar a diversão. Encare isso como uma dança com os lasers.

Elas, então, se contorcem para escapar dos raios como gatos pulando no telhado, com movimentos precisos, delicados e silenciosos. No corpo, apenas os aparelhos a serem usados na sala seguinte, quanto menos coisa carregar em cada etapa mais fácil é a locomoção.

Chegam ao outro lado sem praticamente suar. O próximo desafio é a sala com sensor de movimento. Dessa vez Nina tem que ir sozinha, seria arriscada tentar atravessar as duas. Nina faz sua sequencia de acrobacias com muita agilidade, foi tão rápida que acabou deixando cair o pen-drive que armazenaria os dados. Ela já tinha chegado do outro lado, não daria tempo de voltar. Sem pensar duas vezes D lança sua arma, única coisa que tinha em mãos naquele momento, que faz strike no pen-drive. Os dois caem na área segura sem sensor. Essa foi por pouco. Nina começa a digitar, digitar, digitar, seus dedos tocavam rapidamente as teclas, estava com o olhar concentrado na tela do computador. De repente, ela abre um sorriso.

-Rá. Consegui.

-Nossa, que... rápido e fácil.

-Não é? Nem acredito que eles tinham esse sistema tão simples! Chega até a ser suspeito....

-Bom, vai ver que ninguém acreditava que alguém passasse pelas provas de fogo aí de fora.

-Talvez.

Continua...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A Missão - Parte 3

Já era início da tarde e nem sinal do grandalhão loiro. Tinha sido combinado que às 17h em ponto todas voltariam para o pé da roda gigante caso não tivessem encontrado nada antes. Eram 16h:30min, Nina e C já estavam paradas esperando, quando viram R tentando fugir de um cara mal encarado. Depois de socorrem a amiga, esperaram por D, impacientes. Quando finalmente deu 17h elas começaram a ficar preocupas, ela teria ligado se tivesse encontrado algo suspeito. Esperaram por mais meia hora e acharam melhor sair em busca de D, já que nem o celular ela atendia.


Não precisaram andar muito, D estava ao lado da barraca de tiro ao alvo, segurando um urso panda gigante de pelúcia. Conversava com um rapaz bem bonito, um pouco mais alto que ela, com cabelos negros e bagunçados, olhos azuis que pareciam duas pedras de safira, não era forte mas aparentava ter boa forma.

-D!! Por onde você andava, mulher! – exclamou C.

-Ai meu Deus, esqueci de olhar o relógio. – D olha sem graça para o pulso e em seguida para as amigas.

-Não vai apresentar o amigo? – R joga um olhar malicioso para a amiga que está completamente envergonhada

-Sou Adam, vim da cidade vizinha para curtir a festa. – o rapaz se apresenta.

-Você não é amigo de nenhum dono de Camaro preto, né? – R fala sério, mas depois de receber cutucões e pontapés ela solta um risinho forçado- Ah, esquece.

-Bem, acho que já vou indo. A culpa foi minha por ter perdido a hora, temos muita coisa para resolver e está ficando tarde... – D ainda tentando falar com uma voz normal, sem gaguejar.

-O que há para resolver nas redondezas, essa cidade está fechada até amanhã, nada abre durante as comemorações e bem, a cidade aí do lado também deve funcionar tão cedo, então coisas não serão resolvidas hoje. – ele sorri com olhar inocente.

-Eu disse coisas para resolver? ah não, na verdade.. olha que cabeça a minha, eu quis dizer chão para percorrer, sabe como é, a Califórnia ainda está longe, bem longeee... – o urso gigante dança de um lado para o outro nos braços dela.

-Interessante, por que vocês não pegaram um avião, ou até mesmo um trem?

-Queríamos viajar por mais tempo, ficarmos sozinhas, reforçar laços de amizade, essas coisas de garota – Nina dá suporte à amiga.

-Temos REALMENTE que ir, desculpa Adam, vamos roubar ela de você – C apressa-se e puxa D pelo urso.

-Me liga se ainda estiverem por perto – ele pega um papel anota o número e coloca na coleira do urso de pelúcia.



De volta ao carro, todas estão afoitas para que D conte todos os detalhes, mas ela se recusa a falar tudo. Novamente na casa de Maciço, as luzes continuam apagadas, pelo visto alguém saiu fugido dali.

-Vamos entrar e entrar e procurar por pistas. – sugere R.

Elas vão para o quintal dos fundos e entram sem a menor dificuldade. Reviram a casa de cabeça para baixo, mas nenhum sinal de Ivan ou de sua família, ele parece ter fugido há dias. A caminho do carro e mais frustradas ainda, elas ouvem algum barulho suspeito no início da rua. Era tudo vazio e mal iluminado, os vizinhos também não pareciam estar em casa, todos foram ao centro comemorar. Dois carros chiques entram na rua na velocidade máxima, elas estavam cercadas. De cada veículo saem dois homens de preto.

-Saiam do carro ou morrem aí mesmo. – gritou um dos bandidos encapuzados.

Lentamente elas se posicionaram de costas e cobriam uma a outra.

-No três? TRÊS!!!

C, D, R e Nina começaram a lutar e a machucar seriamente os caras com armas. Seus golpes eram certeiros, elas eram realmente boas em artes marciais, mas D se destacava um pouco mais, talvez seja por causa do sangue oriental. Bandidos devidamente abatidos, agora era a hora de tentar descobrir alguma coisa. Todos estavam desacordados com exceção de um, que C segurava firme.

-Então, pode ir falando, quem mandou vocês aqui? – R perguntou.

O cara encapuzado continuou mudo. C apertou com mais força.

-Desembucha, logo! – C já estava irritada.

D se aproxima e tenta intimidá-lo:

-Fale de uma vez!! É para o seu próprio bem, a C aqui não tem muita paciência com quem não gosta de colaborar.

Foi aí que ele conseguiu se desvencilhar da imobilização e atacou D. Sua sorte é que ela estava preparada, sacou a arma e atirou de raspão em seu braço. Ele continuou correndo e conseguiu fugir.

Ainda um pouco atordoadas e muito irritadas por terem deixado ele escapar entre seus dedos, as quatro garotas decidem que é hora de voltar para Nova York e falar com Jeffrey sobre tudo isso que estava acontecendo. Não confiavam nos comunicadores diretos, afinal, se os bandidos conseguiam localizá-las no meio do nada, o que não teriam feito com o sinal de seus aparelhos? Oficialmente as férias haviam acabado.
 
Continua...

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Continuação - A Missão

Entrar pro ramo da espionagem não estavam no plano das quatro. Quando elas foram para os EUA, a intenção era apenas a de fazer um intercâmbio sem a parte perigosa de entrar na casa de estranhos. Perigo mesmo foi elas terem aceitado alugar uma casa enorme com um andar para cada uma e não suspeitarem nem um segundo do preço absurdamente barato. Assim que puseram os pés no casarão elas foram levadas e informadas do que realmente tinha assinado no contrato de aluguel. Ninguém mandou elas não lerem as letras miúdas.

Um homem de cabelos grisalhos e vestido muito bem - de terno e gravata - surgiu na sala de estar delas convocando-as para a primeira missão internacional. “Você só pode estar brincando”, falaram todas ao mesmo tempo. Mas não precisaram palavras para descrever que aquele homem sentado no sofá não estava para piadinhas. Depois de alguns meses de treinamento intenso, elas se tornaram a elite do Esquadrão de Defesa Mundial. Combatem “as forças do mal, livrando o mundo da destruição”, em outras palavras, elas batem nos bandidos e de quebra salvam o mundo.

Todas as habilidades que elas possuíam foram intensificadas o que as fazem praticamente invencíveis. Aquela parecia ser mais uma tentativa frustrante de folga. Todas as outras vezes aconteciam as mesmas coisas: vilões que resolvem dominar/destruir o planeta.

-E se nós ligássemos pro Jeffrey. Com certeza a rede de internet do EDM é melhor do que esse sinal de wi-fi daqui e o do meu 3G, juntos. – sugeriu Nina.

Jeffrey é o grande diretor do Esquadrão. Ele é o coroa misterioso que teve a missão de encaminhar as garotas para o ramo da espionagem.

-Ele vai dar é uma bronca na gente, falando que somos irresponsáveis e blábláblá – C faz caretas e mímicas.

-Oras, dessa vez a gente não teve culpa. Estávamos saindo de férias! Droga, isso me lembra que nosso roteiro foi por água abaixo... – D encara todos os papéis e mapas que tinha planejado com tanto afinco, parecia realmente desapontada.

Todas estavam ocupadas com alguma coisa: Nina continuava teclando incessantemente em seu notebook, procurando nos bancos de dados de todos os lugares possíveis; R tinha decido para tentar arranjar um carro no mínimo potente o suficiente para uma nova corrida e/ou perseguição; D estava montando todos os equipamentos que pudessem ferir o adversário, consertava e montava algumas armas, e as colocava em esconderijos de fácil acesso para que pudessem sacar a qualquer movimento suspeito; e, por fim, C estava encarregada dos disfarces, sua habilidade de falar incontáveis idiomas e entender diversas culturas ajudavam caso fosse necessário mudar de aparência, naquele exato momento ela estava criando acessórios que pudessem modificá-las por completo.

Já era tarde da noite, e o dia havia sido completamente improdutivo. Estavam apelando para o banco de dados de funcionárias do próprio EDM, mas elas mesmas não acreditavam que achariam alguma coisa. Quando todas já estavam no sétimo sono, Nina acorda as amigas com gritos de entusiasmo e incredulidade:

-ENCONTREI! ENCONTREI! Vocês não vão acreditar...

Um dos motoristas pertencia ao mais recente setor de recrutamento de pesos pesados do EDM, estava sendo treinado para as situações de emergência que exigiam mais da força bruta do que, digamos, o jeitinho e a esperteza. Aquele da foto era Ivan Mirschtov, ou vulgarmente conhecido como Maciço.

-Olha, esse tal de Maciço não mora longe daqui. Vamos atrás dele agora mesmo!- empolgou-se C – Parece que vamos aflorar o nosso lado russo, meninas.

-Eu agradeceria muito se partíssemos pela manhã, eu realmente não preguei o olho até agora e.... – Nina se jogou na cama, levantando uma leve nuvem de poeira da colcha, e dormiu antes mesmo de completar a frase.

De manhã cedo, o sol ainda não havia nascido e estavam todas prontas colocando a mala no carro que R arranjou:

-Como você conseguiu esse carro esportivo em plena cidade do interior?

-É melhor nem saber, D – R dá um sorrisinho meio sem graça, mas depois do olhar de “espero-que-não-tenha-matado-ninguém” lançado pelas três ela acabou falando – Calma, eu peguei emprestado de um cara aí que estava no bar ontem, ok?

-Agora se chama pegar emprestado – Nina provoca.

-Ele era um babaca filhinho de papai, estava todo se achando com o carro e querendo me levar para uma carona, if you know what I mean... – R faz uma careta ao relembrar o momento – Eu só dei umas aulinhas do bom e velho poder das artes marciais.

-Eu nunca devia ter ensinado você a dar aquele golpe sossega leão. – lamentasse D.

-A gente vai devolver, ok. E não é como se eu tivesse dado uma surra nele, só o coloquei pra dormir por algumas horas entre os sacos de lixo. Foi só pra ele aprender que mulher nenhuma gosta de ser tratada como uma qualquer aí da vida.

Na cidade ao lado, elas procuram pelo Ivan Maciço, porém sua casa estava vazia. Sentadas no meio fio, elas estavam mais perdidas do que nunca.

-O que vamos fazer? Ele era nossa única pista para saber quem está atrás da gente. – lamenta-se Nina.

-Vamos dar uma volta pelo centro e à noite voltamos e vemos se ele já voltou para casa. Aproveitamos todo esse tempo livre para nos informarmos com os vizinhos sobre Ivan, o Maciço – sugere D.

O centro estava lotado. Muitas barraquinhas de comida, vários jogos, roda gigante... Era o aniversário de 100 anos da cidade e parecia que todos os seus habitantes estavam comemorando. As garotas adoraram a coincidência, era possível procurar por Maciço de forma a se esconder entre as pessoas. Andar em grupo daria muita bandeira, elas decidiram que o ideal seria “separar para conquistar”, então, cada uma ficou responsável por cobrir uma área.
 
Continua...

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A Missão

Numa casa grande, no meio de Nova York, quatro mulheres se preparavam para terem seus merecidos descansos:

-Férias! Nem acredito!

-Muito bem, meninas, tenho tudo programado aqui. Agora é só torcer para que o mundo não entre em colapso de novo.

-D, por favor, vire essa boca pra lá!

-Desculpa, R, você sabe, isso eu não posso prever. Quantos lunáticos existem espalhados por aí e....

-Ai gente, chega! Está tudo pronto. Parem de atrair pensamentos negativos!

- Ok, C. – R e D disseram juntas.

- Como é que é? Não vamos sair não?

- Nina tem razão, vamos! – disse D.


Viajar se tornou algo tão raro na vida dessas garotas que nem elas estavam acreditando que isso estava realmente acontecendo.





Já estavam no meio da estrada, o vento batia nos cabelos. Era uma viagem longa que cruzaria todo o país. Meta: Califórnia e suas praias, e por que não surfistas?

- Vamos logo, D. Pisa no acelerador!!!

- R, isso não é uma corrida! Além disso, estamos numa velocidade considerável, sossegue aí, ok?

- Já eu acho que esse vento todo não é bom para o meu cabelo, dava pra fechar tudo e ligar o ar? – reclama C, enquanto tenta domar seus longos cabelos que voavam sem rumo certo.

- Pra mim o vento está ótimo – responde R – sensação de liberdade, sabe?

Nina estava quieta no canto dela, mexia no celular freneticamente. Até que se manifestou:

-Gente, tem algo errado.

-Com o quê? – perguntou C.

-Tem alguma coisa atrás da gente.

D olha no retrovisor e vê um camburão de quatro furgões pretos. Definitivamente, não era um comitê de segurança. Começa um tiroteio frenético.

-Ai, saco! R, você que é boa nisso, assume o volante e tente não fazer movimentos bruscos. Vou precisar da maior precisão possível.

R e D trocam de lugares. No banco do carona, D abre o porta-luvas onde guarda suas armas e munições de emergência.

-C, o que você prefere: espingarda ou revolver?

-Não gosto de revolveres, são pequenos e não muito precisos.

Ambas começam a revidar. O primeiro furgão não se abala com os tiros. Parece ser à prova de balas.

-RODAS!-grita D- MIRA NAS RODAS!!

R é tenta ao máximo manter o carro estável para que C e D possam ter uma boa mira. Nina continua tentando identificar quem eram aquelas pessoas que alvejavam as quatro sem motivo aparente:

- As placas não são encontradas. E é lógico que a descrição de 4 furgões à prova de balas não estaria dando sopa no Google.

Tive uma ideia! – R sorri com seu plano – voltem pra dentro, agora!

D e C não estão mais penduradas pelas janelas. R faz uma curva brusca, a estrada de terra é cheia de imperfeições, mas para quem está tentando escapar não têm outra opção. Um dos furgões está muito perto de alcançá-las. Outra virada brusca e a 4x4 entra mato a dentro. Ela passa por caminhos estreitos e escuros, pelo menos o furgão não conseguiu atravessar a lama e atolou. R dirigiu por mais alguns metros e parou o carro atrás de uma frondosa árvore. Elas saem do carro ainda com armas em punho.

-Meu Deus, o que foi aquilo? – D pergunta sem fôlego.

-Isso foi a sua boca grande, ô boca viu? – C estava cheia de sarcasmos.

-Houston, we have a problem –todas olham para Nina – Não temos sinal de nada por aqui!

-Não podemos voltar por onde viemos, tenho certeza que os caras dos carrões pretos devem estar a nossa espera lá fora, isso se já não tiverem dado um jeito de entrar aqui. Ai, que vida! – C recosta no carro e suspira – Férias normais, pluftica, até parece!

-Olha, nós todas sabíamos que se entrássemos nesse ramo não teríamos sossego. – pondera D, que vasculhava a área para checar se tudo estava seguro.

-Acheeii!- Nina estava na ponta dos pés sob o capô, o celular em uma das mãos tentando mante-lo o mais alto possível – Achei um sinal bem fraquinho, mas dá pra pegar o GPS. Ele indica um hotel de beira de estrada a poucos quilômetros daqui e, o mais importante, na direção contrária daqueles caçadores idiotas. Tentei jogar um rastreador neles enquanto estavam distraídos com vocês e as balas.

-Ual! Muito bom trabalho, Nina! – todas iam em direção a menina para realizarem um abraço coletivo.

Elas seguiram rumo ao norte, mata a dentro, levando a bagagem a tira colo:

-Hãã... Nina, tem certeza que seu aparelhinho aí tá funcionando? Essa mata toda não está muito legal. Ainda mais com essas malas...

-R, não reclama. Eu to carregando 2 malas grandes e bagagem de mão.

-Eu falei pra você colocar tudo dentro de uma mala só, D.

-Acontece que eu detesto misturar as armas com a minha roupa, da última vez que eu fiz isso o gatilho prendeu no meu vestido novo.

-Ahhh chegamos na estrada de novo, vejam!- aponta C.

Estava um sol de rachar, na mata estava abafado, mas pelo menos tinha sombra.

-Vocês têm certeza que não querem continuar pela mata? Esse sol todo...

- Nós não vamos andar muito, tem um hotel por perto, só não sei quanto é esse perto... – diz Nina - Não deve ser tão longe.

Elas andaram no mínimo uns 5 quilômetros, estavam exaustas. Se guiando pela sombra, parecia ser o sol do meio-dia. Aquele deserto ao redor também não parecia estar ajudando na sensação térmica. A mata era um oásis no meio daquele terreno seco, pena que elas não previram isso. E agora já era tarde demais para darem meia volta e sentarem na sombra de algumas árvores.

Um portal gigante era visto de longe. A cidade era pequena, as pessoas pareciam não estarem acostumadas com turistas, pois todos olhavam com espanto as quatro garotas cheias de malas e com cara de acabadas. O hotel ficava no centro e era até grande em relação às outras construções. Nem perto de 5 estrelas, se fossem 3 já seriam demais, mas era aconchegante e limpinho, o suficiente para descansar e planejarem alguma coisa.

-Quem eram aquelas pessoas? Elas esconderam seus arquivos muito bem – Nina se pergunta, enquanto tentava identificar alguns dos sujeitos que haviam atacado, durante o confronto ela tirou algumas fotos dos motoristas dos furgões.

-Eu acho que o mais importante é nós descobrirmos quem mandou aqueles brutamontes – disse R.

-Não, o mais importante é conseguirmos descobrir isso tudo e mantermo-nos vivas. – constata C.

-Sermos as melhores espiãs do mundo não viria o reconhecimento de graça. Riscos da profissão.


Continua...