segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Daqui à uma década - Conto aleatório surpresa

ai, ai, ai.. Tá super trash! Fiz em homenagem a nossa primeira saída oficial de amanhã. DE MUITAS. Veio a ideia quando eu tava conversando com a ('.').  Espero que vocês curtam, cara. Apesar de tar super trash e clichê :x Love ya, girls.

-x-x-x-x

Eu estou atrasada.

Tartaruguinha vai me matar. Mas meu Deeeus, o que é esse trafego aéreo? Insuportável. Uma viagem de poucas horas se tornou um tormento! Haja saco.
Quando finalmente consigo colocar os pés em solo inglês, tenho que correr para um táxi e praticamente gritar pra ele me levar pra Basildon. Depois de alguns meses de encontros eu já tenho o endereço decorado. Grande coisa. Pra quem decora leis inteiras, parágrafos e páginas. Isso sem mencionar aniversários, aniversário de namoro, de noivado. Um endereço é balela.
Mais uma meia hora depois, consigo chegar no Outback. Meu Deus, me atrasei duas horas. Elas todas vão me matar. Um super complô contra a atrasilda.
Tiro meu casaco meio as pressas quando um rapaz que teria me feito suspirar aos 18 me pergunta se pode guarda-lo. Agora ele só me parece jovem demais. Estou mesmo velha.
Mesmo assim, ainda não estou acostumada ao barulho dos meus saltos batendo contra o chão. Ok, já fazem muitos anos desde que eu comecei a estagiar e tive que começar a andar de terninho e salto por aí, mas, mesmo assim, ainda é muito esquisito. Especialmente quando se trata de lazer e eu simplesmente não tenho tempo de meter um all stars ou uma blusa que não seja branca e meio cheia de babados. É uma lástima ser meio workaholic.
Bem lembrado. Desligo meu celular no caminho pra mesa. É hora das meninas agora. Nada de escritório, nem de noivo. Dia 9. Dia delas.
- Antes tarde do que nunca! – Coelhinha diz, quando eu finalmente consigo chegar na mesa.
- Desculpa gente, mas...
- Não vai colocar a culpa no pobre do Stefano! – a sedutora do grupo diz, passando gloss nos lábios.
- Não, a culpa foi mesmo desse trafego aéreo. Tenso. – eu sorrio. – Nada de Stefano dessa vez.
- Nem me fale! – Coelhinha diz de novo. – Quase morri de tédio no aeroporto! Acho que os vôos estão atrasados, ou algo assim. Nunca demorou tanto pra eu conseguir sair da Alemanha, meu Deus.
- Bom, eu só peguei o canal da mancha. – a sedutora volta a dizer, fechando o gloss.
- E eu só peguei o carro. – (tu) diz. – Prático.
- Talvez seja hora da gente mudar os encontros de lugar. – palpito.
- NÃO! – Coelhinha diz. – Temos que manter a tradição do Outback! São 10 anos de prática.
Todas nós rimos, enquanto eu peço uma bebida do Happy Hour com urgência impreterível. Não me leve a mal, eu realmente AMO meu trabalho. Meus olhos nunca deixaram de brilhar por direito internacional. E eu ainda tenho alguns momentos pra escrever. Só que tudo é um pouco cansativo. Eu preciso de umas nights outs. Com elas.
Dez anos, meu Deus! Uma década!
Começam as conversas de sempre. Amenidades sobre nossas vidas em cada país, e o que perdemos em um mês. Claro, existem as ligações de praticamente todo dia (as companhias telefônicas devem nos AMAR) e o skype de domingo, mas nos vermos ao vivo só mesmo no dia 9 de cada mês. Pouco importa qual é o dia da semana. A gente tem que dar um jeito. Assinamos um contrato, no fim das contas.
- Ai gente, - coelhinha coloca a mão na cabeça. Sua aliança gorda brilha. – As crianças estão me dando nos nervos!
- Ué amiga, não era você que sempre foi louca por gêmeos? – eu brinco.
- Eu sou! Os amo de paixão, fala sério. – ela dá língua. – Mas é tenso conciliar uma carreira de cientista política e antropóloga com gêmeos de 2 anos!
- Isso porque o Luciano acabou não vindo de primeira. – comento. – E a Luiza ainda está faltando também. Vai encomendar?
- Você e Ralf tem que parar com essa fábrica de filhos! – Mika diz, naquele ar dela. – Vocês, hein? - ela ri sozinha, bebericando sua bebida. – Só me dão mais e mais afilhados!
- Nós?! – Tartaruguinha se ofende. – Bom, eu só tenho o Edward, dá licença? Não dá tempo pra criar mais de um filho e inventar bons jingles para propagandas.
- Nem olhe pra mim. – eu levanto minha mão esquerda. – Eu sou apenas noiva. Nada de filhos.
- Há 5 anos! – Coelhinha ri alto. – Você está enrolando o pobre do Stefano há séculos.
- Há séculos nada! Só... – eu contabilizo. – Sete anos, se contarmos o namoro.
- Ou seja, desde que você foi fazer um semestre da faculdade em Roma. – Tartaruguinha comenta.
- Ai gente, eu não quero casar sabe? Parece tão... sério.
As xarás da mesa bufam, como se eu tivesse dito algo totalmente sem noção.
- Cara, desculpa te dizer, mas você já está casada. Vocês dois estão noivos. São totalmente fieis, coisa e tal. Casamento. – Mika mostra sua sabedoria.
- Como vai Pierre, Mika? – Coelhinha pergunta. – Quando vai ser a sua vez de nos dar afilhados?
Pseudo sabedoria.
- Deus me livre! – ela bate na mesa. – Se Deus quiser não tão cedo. Até porque se depender do babaca do Pierre...
- Brigaram DE NOVO? – eu pergunto horrorizada. Como o relacionamento dela consegue ser mais tempestuoso que o meu? Achei que era impossível.
- Não é que tenhamos brigado. É só que ele é tão enjoado, nhênhênhê. – revira os olhos. – Quando ele está no meio de um processo criativo, cheio de idéias para dirigir filmes cúl, ele é muito mais interessante.
Rimos. Ai, Mika.
- Como vai seu novo roteiro, falando nisso? – (tu) pergunta, ajeitando sua aliança no dedo. Acabou sendo a primeira a casar. Isso se nós não contarmos aquele casamento da Mika com a May em Vegas. Por favor, não vamos contá-lo.
- Está andando tão rápido quanto qualquer um dos dois mil projetos de livro da dori. – ela espeta.
- Ei! – reclamo. – Meus projetos estão rápidos, tá? Qualquer dia desses eu termino um deles.
- Aham, sabemos. – Coelhinha reclama. – Se não fosse por nós e pelo seu noivinho, acho que você não teria terminado nem aquele livro que você escrevia na nossa época de escola.
Nós todas rimos de novo.
- E aquela viagem? – Mika se lembra num estalo. – Quando é que nós vamos faze-la sem nossos conjugues e filhos? Só nós 4, lindas mulheres bem sucedidas?
Começam os planos, risos e pseudo preparativos para uma viagem que avistávamos no horizonte. Nessas horas, encarando-as, eu penso que continuamos as mesmas garotas de 18 anos na essência. No brilho no olhar. Na alegria da amizade.
É, isso aí. Dez anos. Nós quatro prestes a entramos na idade do sucesso. Nossa amizade passou por uma década, por novos amigos, casamentos, filhos e mudanças de país. Sobreviveu. Atrevo-me dizer que cresceu.


Acho que é nessas horas mesmo que a gente descobre qual é a definição exata de amizade. Creio que deviam colocar nos dicionários um novo sinônimo para essa palavra tão forte e bonita. E esse sinônimo seria Ponto de Conto.

Fim :P

4 comentários:

  1. HAHAHAHAHAHAHAHAH
    aaaaaaaiiiinnnnnnn que lindoooooo!!!
    pode colocar esse conto pro anais do ponto de conto. ele sim vai virar realidade. pode deixar, daqui a 10 anos, lá estaremos nós. ;P

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  2. ooin, que lindo *-*
    ps: eu nunca me casaria com renata em vegas

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  3. AHAHAHA
    AMEI, dori.
    e deus me livre me casar com a maynnara. cels hahahahahhahaha eu sei q ela se casaria cmg sem pensar duas vezes. ham ;D

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  4. snif snif
    Ain gente, uma dia eu ganho minha carta aforria... De qualquer forma...
    Lindo *o*
    Espero realmente que conquistemos tudo que quisermos e possamos dividir nossas alegrias juntas ^^
    AMO VOCÊS!!!!!!

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