quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Coletânea: "Amizade"



Como se não bastasse todas estarem aqui porque gostam de escrever qualquer tipo de conto, também gostamos de escrever sobre nós mesmas, sob outras perspectivas, projetando um futuro - real ou não. Nessa coletânea, as histórias onde as autoras também fazem o papel principal.

"Daqui à uma década" (Clara A.)
"A Missão" - Parte 1 (Dani C.)
C, Nina, D e R são espiãs, agentes especiais do Esquadrão de Defesa Mundial (EDM). Depois de muito trabalho duro por vários anos, elas finalmente conseguiram um tempo de descanso só pra elas. Férias, oh merecidas férias. Mas como o mundo nunca está a salvo, o perigo surge de onde menos se espera. Nesse caso, perigo e amor têm a mesma característica.

"Love can cure your problems, you're so lucky I'm around" - Parte 1 (Clara A.)


"Too many people living in a secret world While they play mothers and fathers" - Parte 1 (Dani C)
Dez anos se passaram e algumas coisas mudaram. Nina, C, R e D agora são mães e em nome da maternidade acabaram deixando de lado o lado espião de suas vidas. Contudo, um chamado urgente fez com que todas regressassem às ativudades. A velha dúvida dos pais entre deixar a cria e continuar a carreira chega a todos e se agrava quando a profissão exige riscos demais.
Continuação do conto "A missão".

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Daqui à uma década - Conto aleatório surpresa

ai, ai, ai.. Tá super trash! Fiz em homenagem a nossa primeira saída oficial de amanhã. DE MUITAS. Veio a ideia quando eu tava conversando com a ('.').  Espero que vocês curtam, cara. Apesar de tar super trash e clichê :x Love ya, girls.

-x-x-x-x

Eu estou atrasada.

Tartaruguinha vai me matar. Mas meu Deeeus, o que é esse trafego aéreo? Insuportável. Uma viagem de poucas horas se tornou um tormento! Haja saco.
Quando finalmente consigo colocar os pés em solo inglês, tenho que correr para um táxi e praticamente gritar pra ele me levar pra Basildon. Depois de alguns meses de encontros eu já tenho o endereço decorado. Grande coisa. Pra quem decora leis inteiras, parágrafos e páginas. Isso sem mencionar aniversários, aniversário de namoro, de noivado. Um endereço é balela.
Mais uma meia hora depois, consigo chegar no Outback. Meu Deus, me atrasei duas horas. Elas todas vão me matar. Um super complô contra a atrasilda.
Tiro meu casaco meio as pressas quando um rapaz que teria me feito suspirar aos 18 me pergunta se pode guarda-lo. Agora ele só me parece jovem demais. Estou mesmo velha.
Mesmo assim, ainda não estou acostumada ao barulho dos meus saltos batendo contra o chão. Ok, já fazem muitos anos desde que eu comecei a estagiar e tive que começar a andar de terninho e salto por aí, mas, mesmo assim, ainda é muito esquisito. Especialmente quando se trata de lazer e eu simplesmente não tenho tempo de meter um all stars ou uma blusa que não seja branca e meio cheia de babados. É uma lástima ser meio workaholic.
Bem lembrado. Desligo meu celular no caminho pra mesa. É hora das meninas agora. Nada de escritório, nem de noivo. Dia 9. Dia delas.
- Antes tarde do que nunca! – Coelhinha diz, quando eu finalmente consigo chegar na mesa.
- Desculpa gente, mas...
- Não vai colocar a culpa no pobre do Stefano! – a sedutora do grupo diz, passando gloss nos lábios.
- Não, a culpa foi mesmo desse trafego aéreo. Tenso. – eu sorrio. – Nada de Stefano dessa vez.
- Nem me fale! – Coelhinha diz de novo. – Quase morri de tédio no aeroporto! Acho que os vôos estão atrasados, ou algo assim. Nunca demorou tanto pra eu conseguir sair da Alemanha, meu Deus.
- Bom, eu só peguei o canal da mancha. – a sedutora volta a dizer, fechando o gloss.
- E eu só peguei o carro. – (tu) diz. – Prático.
- Talvez seja hora da gente mudar os encontros de lugar. – palpito.
- NÃO! – Coelhinha diz. – Temos que manter a tradição do Outback! São 10 anos de prática.
Todas nós rimos, enquanto eu peço uma bebida do Happy Hour com urgência impreterível. Não me leve a mal, eu realmente AMO meu trabalho. Meus olhos nunca deixaram de brilhar por direito internacional. E eu ainda tenho alguns momentos pra escrever. Só que tudo é um pouco cansativo. Eu preciso de umas nights outs. Com elas.
Dez anos, meu Deus! Uma década!
Começam as conversas de sempre. Amenidades sobre nossas vidas em cada país, e o que perdemos em um mês. Claro, existem as ligações de praticamente todo dia (as companhias telefônicas devem nos AMAR) e o skype de domingo, mas nos vermos ao vivo só mesmo no dia 9 de cada mês. Pouco importa qual é o dia da semana. A gente tem que dar um jeito. Assinamos um contrato, no fim das contas.
- Ai gente, - coelhinha coloca a mão na cabeça. Sua aliança gorda brilha. – As crianças estão me dando nos nervos!
- Ué amiga, não era você que sempre foi louca por gêmeos? – eu brinco.
- Eu sou! Os amo de paixão, fala sério. – ela dá língua. – Mas é tenso conciliar uma carreira de cientista política e antropóloga com gêmeos de 2 anos!
- Isso porque o Luciano acabou não vindo de primeira. – comento. – E a Luiza ainda está faltando também. Vai encomendar?
- Você e Ralf tem que parar com essa fábrica de filhos! – Mika diz, naquele ar dela. – Vocês, hein? - ela ri sozinha, bebericando sua bebida. – Só me dão mais e mais afilhados!
- Nós?! – Tartaruguinha se ofende. – Bom, eu só tenho o Edward, dá licença? Não dá tempo pra criar mais de um filho e inventar bons jingles para propagandas.
- Nem olhe pra mim. – eu levanto minha mão esquerda. – Eu sou apenas noiva. Nada de filhos.
- Há 5 anos! – Coelhinha ri alto. – Você está enrolando o pobre do Stefano há séculos.
- Há séculos nada! Só... – eu contabilizo. – Sete anos, se contarmos o namoro.
- Ou seja, desde que você foi fazer um semestre da faculdade em Roma. – Tartaruguinha comenta.
- Ai gente, eu não quero casar sabe? Parece tão... sério.
As xarás da mesa bufam, como se eu tivesse dito algo totalmente sem noção.
- Cara, desculpa te dizer, mas você já está casada. Vocês dois estão noivos. São totalmente fieis, coisa e tal. Casamento. – Mika mostra sua sabedoria.
- Como vai Pierre, Mika? – Coelhinha pergunta. – Quando vai ser a sua vez de nos dar afilhados?
Pseudo sabedoria.
- Deus me livre! – ela bate na mesa. – Se Deus quiser não tão cedo. Até porque se depender do babaca do Pierre...
- Brigaram DE NOVO? – eu pergunto horrorizada. Como o relacionamento dela consegue ser mais tempestuoso que o meu? Achei que era impossível.
- Não é que tenhamos brigado. É só que ele é tão enjoado, nhênhênhê. – revira os olhos. – Quando ele está no meio de um processo criativo, cheio de idéias para dirigir filmes cúl, ele é muito mais interessante.
Rimos. Ai, Mika.
- Como vai seu novo roteiro, falando nisso? – (tu) pergunta, ajeitando sua aliança no dedo. Acabou sendo a primeira a casar. Isso se nós não contarmos aquele casamento da Mika com a May em Vegas. Por favor, não vamos contá-lo.
- Está andando tão rápido quanto qualquer um dos dois mil projetos de livro da dori. – ela espeta.
- Ei! – reclamo. – Meus projetos estão rápidos, tá? Qualquer dia desses eu termino um deles.
- Aham, sabemos. – Coelhinha reclama. – Se não fosse por nós e pelo seu noivinho, acho que você não teria terminado nem aquele livro que você escrevia na nossa época de escola.
Nós todas rimos de novo.
- E aquela viagem? – Mika se lembra num estalo. – Quando é que nós vamos faze-la sem nossos conjugues e filhos? Só nós 4, lindas mulheres bem sucedidas?
Começam os planos, risos e pseudo preparativos para uma viagem que avistávamos no horizonte. Nessas horas, encarando-as, eu penso que continuamos as mesmas garotas de 18 anos na essência. No brilho no olhar. Na alegria da amizade.
É, isso aí. Dez anos. Nós quatro prestes a entramos na idade do sucesso. Nossa amizade passou por uma década, por novos amigos, casamentos, filhos e mudanças de país. Sobreviveu. Atrevo-me dizer que cresceu.


Acho que é nessas horas mesmo que a gente descobre qual é a definição exata de amizade. Creio que deviam colocar nos dicionários um novo sinônimo para essa palavra tão forte e bonita. E esse sinônimo seria Ponto de Conto.

Fim :P